O fim do Ximango e Quero-Quero

No sul do País, fábricas vazias de planadores…
Três galpões a uma quadra do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), guardam a história da Aeromot, empresa que já foi a segunda maior fabricante de aviões no Brasil, atrás da Embraer. Dentro deles, há máquinas paradas, moldes de aviões e peças no estoque. Longas asas cheias de poeira fazem parte de um planador que ficou inacabado. Grandes pranchetas e esquadros, de onde saíram os projetos dos planadores Ximango e Guri, que têm 210 modelos voando pelo mundo, ainda estão no mezanino da fábrica.
O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2015 | 03h00

Em meio a uma crise financeira, a Aeromot encerrou a produção há dois anos. Seus 100 funcionários foram dispensados. Só seis ficaram e ocupam a fábrica com serviços para terceiros, como reparos em aviões e produção de escadas metálicas.

Crise-Viana, da Aeromot, busca contrato para reativar empresa que já foi a segunda maior fabricante de avião do Brasil -Foto: Ramiro Furquim/Estadão1420412674935

Desde então, o fundador da empresa, Claudio Viana, de 83 anos, tenta reerguer a empresa. “Não está morto quem peleia”, diz. O foco atual é tentar convencer o governo gaúcho a fazer encomendas de seis planadores para monitorar a fronteira, projeto estimado em mais de R$ 12 milhões. “Precisamos de um contrato grande para reativar a fábrica e buscar investidores”, diz Viana, formado na primeira turma do ITA.

A Aeromot nasceu em 1966 para fazer manutenção de aeronaves. Nos anos 80, começou a fabricar planadores para o governo militar, que pretendia reequipar os aeroclubes. A encomenda era de 100 aeronaves, mas o contrato foi suspenso no exemplar número 37, quando o governo de José Sarney optou por comprar o avião argentino Aero Boero. De lá para cá, a Aeromot focou no mercado externo até fechar a fábrica.

Paraná. Caso semelhante viveu a paranaense IPE Aeronaves, que também teve contratos suspensos com o governo militar para a venda de planadores. A fábrica, que ocupa um terreno de 20 mil m² no bairro Batel, um dos mais nobres de Curitiba, nunca voltou aos tempos áureos, quando montava quatro aviões Quero-Quero por mês.

Hoje, os dez funcionários que restaram trabalham para tentar viabilizar novos aviões e testam o uso de fibra de vidro e carbono, materiais leves e ultrarresistentes que formam a fuselagem de aviões, em outras indústrias. Na fábrica, há “azulejos” e protótipos de peças criadas para tentar substituir o uso de barras de metal em pulverizadoras agrícolas.

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Passeando pelo Japão por U$ 21/dia

Se você não está muito preocupado com o seu tempo de viagem, você pode andar de trem por quase todo o Japão por menos do que o preço de um jantar. A companhia de trens JR oferece um pacote do bilhete que permita passeios ilimitados em trens locais por 2370 ienes por o dia, ou aproximadamente U$ 21.

O pacote Seishun 18 Kippu (é chamado de “Juventude 18”, mas você não precisa ser um jovem para usá-lo),serve para cinco dias de viagens ilimitadas. Embora você tenha que pagar os U$ 107 ( 11.800 ienes )por todos os cinco ingressos de uma só vez, o pacote pode ser dividido entre várias pessoas, também pode ser usado para um dia de viagem ilimitada para cinco pessoas, desde que elas estejam todos viajando juntos para carimbar num unico Ticket.

Serve para todas as linhas JR Railways de Japão, incluindo alguns ônibus rápidos , de cidades do norte de Hokkaido à cidades do sul de Kyushu. Mas não pode ser usado para trens expressos ou carros leito nem Shinkansens, então se você quiser viajar por todo o país,  não será o mais rápido ou confortável.

Há também datas limitadas quando você podera usar os bilhetes. Este período de viagem termina em 10 de abril, mas há outra janela do final de julho a setembro e de 10 de dezembro a 10 de janeiro.

Period Valid On Sale
Spring March 1 to April 10 February 20 to March 31
Summer July 20 to September 10 July 1 to August 31
Winter December 10 to January 10 December 1 to December 31

A equipe RocketNews24 aproveitou o pacote para viajar de Tokyo a Kokura, cerca de uma viagem de 685 milhas. Demorou 19 horas com algumas transferências apertadas entre os trens, mas eles fizeram isso naquele bilhete de US $ 21. Para umas férias curtas em um lugar notoriamente caro,  é um negócio que pode valer a pena sofrer

.http://www.japan-guide.com/e/e2362.html

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Dívida da Vasp com a União

16142969_1229540437130183_4631239911393265648_nO ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), julgou procedente em parte pedido do Estado de São Paulo para evitar que seja retido repasse de recursos pela União em decorrência de dívidas da antiga Viação Aérea São Paulo (Vasp). Na Ação Cível Originária (ACO) 776, a decisão impede a execução de parte da dívida, porém reconhece a validade e possibilidade de retenção de parte do débito, equivalente a US$ 260 milhões em valores de 1990.
Foi reconhecida a parte do débito renegociada em contrato realizado em 26 de setembro de 1990, poucos dias antes da privatização da companhia, ocorrida em 1º de outubro daquele ano. O contrato de renegociação foi firmado com o objetivo de equalizar dívidas anteriores e possibilitar refinanciamento de outras pela União, visando tornar a empresa atrativa para o setor privado.
Por ostentar a condição de fiador, o Estado de São Paulo acabou assumindo responsabilidade solidária direta da dívida. Contudo, o ministro Gilmar Mendes observou que a cláusula segunda do contrato, relativo à incorporação de novos financiamentos ao saldo devedor, cria óbice à execução de parte da dívida. Isso porque determina o repasse de benefícios eventualmente obtidos pela União de renegociações com credores externos. Tais descontos foram obtidos pela União mas não repassados ao saldo devedor, o que torna a dívida ilíquida para fim de cobrança.
“É o caso de declarar-se que o valor do saldo devedor, o qual pode ser objeto de retenção (por ser certo, líquido e exigível), restringe-se ao refinanciamento da obrigação principal assumida em 26 de setembro de 1990, consubstanciada na dívida anteriormente existente, qual seja, US$ 260.619.097,38”, diz a decisão.
Porém os acréscimos ao saldo devedor provenientes de financiamentos posteriores à assinatura do contrato só obrigam o pagamento pelo fiador caso se tornem líquidos.
Planos econômicos
O ministro também afastou alegação do Estado de São Paulo de que o saldo devedor deveria ser compensado com crédito de R$ 1,5 bilhão da Vasp em relação à União, devido em razão do congelamento de tarifas imposto por planos econômicos passados. O caso está em disputa judicial, e segundo alega o Estado de São Paulo, o direito já foi reconhecido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O ministro do STF considerou a compensação inviável porque o alegado crédito da companhia com a União não ostenta caráter de liquidez.
Outro ponto abordado foram os repasses da União que poderiam ser retidos para fim de pagamento de dívida. O ministro considerou válidas as retenções dos recursos do Fundo de Participação dos Estados e aqueles créditos referentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)-Exportação. Afastou parcelas referentes ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) oriundos da Lei Kandir (Lei Complementar 87/1996) e da Medida Provisória (MP) 237/2005, por ausência de previsão legal.
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Pense Global,Fale Local…

foraNo Brasil temos vários sotaques diferentes ,afinal somos um país muito grande com muitas variações regionais culturais e consequentemente de hábitos no falar também.

No Japão isso também existe mas é bem mais complicado, apesar de ser um país pequeno existem dezenas de dialetos dentro do Japão, isso se deve a regionalização, a geografia, ao isolamento do país e de regiões dentro do Japão e também ao sistema político e geográfico dividido que existia na época feudal.

O dialeto padrão do Japão conhecido como “hyōjungo“ é o dialeto de Tokyo e da região de “Kanto”, que é o mais comum e o ensinado nas escolas de japonês em todo o mundo, inclusive dentro do Japão, pois existe a necessidade de “padronizar” os dialetos porque muitas vezes mesmo uma pessoa japonesa não consegue entender outra pessoa de outra região do Japão. Então em muitos lugares as pessoas falam o dialeto padrão e o regional para que possam se comunicar localmente ou nacionalmente.

Difícil para nós no Brasil imaginarmos esta situação, pois por mais que sejamos do Sul, Sudeste, Nordeste, Norte ou Centro-Oeste nós nos entendemos mesmo que o outro tenha sotaque regional. No Japão as diferenças de sotaque podem ser tão grandes que as pessoas não se entendem, algumas palavras são parecidas, outras realmente nada parecidas.

Praticamente cada região do Japão tem o seu dialeto/sotaque, ou em japonês “Hogen”. No idioma japonês quando nos referimos ao dialeto se adiciona a partícula “Ben”, referindo-se juntamente a “Hogen”, no final para caracterizar a fala de determinada região ou província, entre os principais tipos de “hogen” por região estão:

– Kansai-ben: a região de Kansai envolve as províncias de Nara, Wakayama, Quioto, Osaka, Hyogo e Shiga

– Tohoku-ben: a região de Tohoku fica mais ao norte da ilha central e envolve as províncias de Akita, Aomori, Fukushima, Iwate, Miyagi e Yamagata

– Okinawa-ben ou Ryukyu-ben: é o dialeto da província de Okinawa e as Ilhas Ryukyu que fazem parte do arquipélago

– Hokkaido-ben: referente ao sotaque típico da província de Hokkaido, ou da região norte do Japão

– Shikoku-ben: envolve as províncias de Kochi, Ehime, Tokushima e Kagawa

-Chugoku-ben: região que envolve as províncias de Hiroshima, Yamaguchi, Shimane, Tottori e Okayama

– Umpaku-ben: dialeto falado em partes das províncias de Shimane e Tottori e também nas ilhas Oki.

-Kyushu-ben: região que envolve as províncias de Fukuoka, Kagoshima, Kumamoto, Miyazaki, Nagasaki, Oita e Saga.

Lembrando que estas são as principais regiões e seus sotaques, porém, dentro de cada região existem regiões menores com seus próprios dialetos, como por exemplo o “Tsushima-ben” que é o dialeto falado na ilha de Tsushima que pertence a província de Nagasaki e fica localizada em uma parte do mar do Japão, bem no estreito entre Japão e Coreia do Sul, e muitas vezes dito com inteligível pelos que falam apenas o idioma japonês padrão.

Outro exemplo são os dialetos de Kyushu, dentro desta região existem dialetos diferentes como o Hichiku, Honishi e Satsugu-ben. Existem regiões muito peculiares onde o dialeto é muito diferente do comum apesar de geograficamente não fazer muito sentido como o dialeto “Hachijo” falado nas ilhas “Izu”, conjunto de ilhas ao sul de Tokyo e que pertencem ao território da Província.

A língua japonesa é cheia de encantos e mistérios!

No Sul do Brasil ouve-se “frio de renguear o cusco “,no Nordeste”Eita cabra bom da molesta”,etc.No Japão as 47 Provincias tambem tem suas diferenças linguisticas em dizer “Eu gosto de voce.”.Então consegue-se saber de onde veio a pessoa..

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ReTuna e Second Hands

Em um mundo que ainda está aprendendo a tornar a reciclagem um estilo de vida, esta cidade sueca, Eskilstuna, abriu um shopping center para vender reciclados há quase dois anos. O centro comercial – ReTuna Återbruksgalleria – inclui lojas diferentes com produtos usados, reciclados ou sustentáveis. O nome, um amálgama de coisas, combina “Tuna”, apelido para a cidade, “Återbruk”, significando reutilização e “Galleria” ou shopping.

ReTuna Återbruksgalleria Entrada-Fonte: Green Hack GBG.Retuna3-1024x683
Ninguém em particular realmente possui o shopping ou a idéia; As pessoas por trás do ReTuna Återbruksgalleria são uma equipe de ativistas ambientais com base em Eskilstuna, com o objetivo de torná-la a melhor cidade a lidar com a gestão de resíduos. “Acreditamos que a decisão vem de uma combinação de políticos corajosos e um desejo de ser o melhor município  e capaz de enfrentar os desafios da gestão de resíduos de uma maneira totalmente nova”, Anna Bergstrom – um dos fundadores da Projeto – explica ao progrss. “Isso envolve o município, nossa empresa Eskilstuna Energi och miljö – uma corporação municipal – e um par de bons lobistas.”

Com um plano de negócios e uma ânsia de salvar o planeta, os lojistas chegaram a bordo e o shopping foi lançado em agosto de 2015. Mas foi agitado e Bergström esteve a ponto de desistir em várias ocasiões. “Não foi fácil ter todos os contratos prontos antes de abrir; Eu tinha propagandas nos jornais, no rádio, no Facebook, nos ônibus, nos cartazes, bem como nos telefonemas de marketing “, acrescenta.
Anna Bergström  uma das fundadoras- Fonte: ReTunaRetuna2
“É importante para nós que os inquilinos sejam empresarios, que queiram ganhar dinheiro quanto salvar o planeta. Portanto, o shopping é comercialmente impulsionado. “Bergström e sua equipe querem mudar a atitude em relação ao consumo.

“Nós pegamos tudo de uma casa ou loja, não negamos nada”, diz Bergström. Quando  recebem coisas que  sabem que não serão capazes de usar, eles empilham e passam para outras instituições que podem fazer uso dele, como escolas. Caso contrário, as mercadorias vão para as estações de reciclagem localizadas a não mais de 300 metros de qualquer área residencial no país.

“Eu acredito que você poderia vender areia no deserto”, ela nos diz. “Não são os bens que vão fazer o negócio funcionar ou não, cabe ao empresário,  lidarem com o negócio.”

Com uma força de trabalho de 50 funcionários, o shopping tem nove lojas em funcionamento, vendendo material reutilizado que vão desde roupas usadas, bicicletas,  materiais de construção e esportes, mobiliário ,etc. Há também um restaurante, um centro educacional, um salão de conferências e sala de reuniões, três pequenas lojas pop-up e uma loja onde os compradores podem ver todos os produtos à venda antes de encomendá-los na loja online.

No depósito, onde os bens recebidos são recebidos e classificados, a equipe contratou uma equipe do Serviço  Social para cuidar de receber materiais de entrada, avaliar e distribuir aos inquilinos. Há 12 funcionários responsáveis ​​por essa tarefa.
Uma  media de 600 a 700 pessoas vem ao Mall diariamente e está aberto sete dias por semana- Fonte: TT.retuna4
Bergström diz que a receita cobre os custos de ter a loja funcionando e o suficiente para pagar um funcionário. E embora os inquilinos às vezes tenham dificuldades em fazer  lucro, em geral, os resultados são um pouco melhores do que tinham previsto.

Uma grande parcela do que torna este trabalho agradavel, é que os moradores de Eskilstuna estão bastante confortáveis ​​com a idéia de comprar produtos em segunda mão. “Em Eskilstuna e no resto da Suécia começamos a ter um consumo mais consciente. Mas ainda temos muito a fazer para  mais pessoas agirem de forma sustentável “, ressalta. Projetos semelhantes podem não ser tão bem-sucedidos em cidades onde as pessoas estão aceitando menos a idéia de comprar bens de segunda mão e reciclados, o que significa que os ativistas ambientais lá teriam muito mais trabalho a fazer em termos de campanhas cognitivas.ReTuna_Sweden.jpg.662x0_q70_crop-scale

Embora Bergström e sua equipe gostariam de levar esse conceito para outras cidades, seu plano para o futuro próximo é construir uma mentalidade ecologica e eles  ainda não atingiram esse objetivo ainda.

A Suécia tem liderado o caminho quando se trata de reciclagem,  o país é um precursor do sistema zero-resíduos . Hoje, 99% dos resíduos domésticos da Suécia são reciclados, contra apenas 38% em 1975.
Fonte-Leena ElDeeb
JUNIOR JOURNALIST
A Cairo-based free spirit, with a growing passion for anthropology.

 Second Hands no Japão são uma das atrações para os turistas com preços muito baixos…

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O Presente de Natal para Sam

Pilotos não têm um trabalho fácil. Todos os dias, pessoas de todo o mundo colocam suas vidas nas mãos de homens e mulheres no controle dos aviões que as carregam por todo o planeta. Enquanto a maioria das pessoas está pensando se o voo chegará pontualmente, esses profissionais estão mais preocupados em chegar a salvo no destinoPilots Dug Into Some Cookies Appreciatively. But When They Read The Attached Note, They Nearly Choked (3)

Esta história não é tanto sobre profissionalismo, mas sobre o coração por trás disso. Um piloto chamado Chad compartilhou esta história incrível há um tempo e ela tocou os corações de pessoas por todo o mundo.
“Às vezes, os presentes mais importantes são dados inconscientemente. Eu comecei a checar os instrumentos para me preparar para o meu último voo do dia, um trecho curto de Atlanta para Macon. Eram 19h30, véspera de Natal, mas, ao invés de estar comendo peru no jantar da mamãe, eu estava ocupado levando outras pessoas para seus lares para encontrarem suas famílias.
Pilots Dug Into Some Cookies Appreciatively. But When They Read The Attached Note, They Nearly Choked (2)Além do pequeno barulho de passageiros conversando, eu ouvi um ruído atrás de mim. Eu olhei por cima do meu ombro. Do lado de fora, na porta da cabine de comando, estava um menino, de mais ou menos 9 anos, olhando intensamente para dentro da cabine. Quando olhei, ele começou a se virar para ir embora. ‘Espere’, eu chamei. ‘Vem cá.’Eu tinha mais ou menos a idade dele quando vi pela primeira vez o painel de um avião se iluminando como uma árvore de Natal, e eu mal conseguia esperar para tirar minha licença de piloto. Mas agora, com 24 anos e sendo Primeiro Comandante em uma companhia aérea, eu me perguntava se tinha feito a escolha certa. Aqui estava eu, passando meu primeiro Natal longe de casa, e o que eu estava conquistando? Que marca eu estava deixando no mundo, ou fazendo algum bem, apenas levando pessoas de cidade a cidade?
Com os olhos arregalados, ele balançou a cabeça. Seguindo minhas instruções, Sam cuidadosamente girou um botão que ligou a ignição. Depois, ele apertou um botão tão grande quanto sua mão para ligar o motor. Finalmente, com as duas mãos, ele empurrou uma alavanca para introduzir o combustível. O motor ganhou vida.Pilots Dug Into Some Cookies Appreciatively. But When They Read The Attached Note, They Nearly Choked (1)

Sam lentamente largou a alavanca e se afastou, assustado. Ele tinha ligado um avião, um grandinho. Eu mesmo não sei se teria acreditado nisso naquela idade. Eu agradeci Sam por nos ajudar.

‘Não, eu que agradeço, senhor’, Sam disse. ‘Isso foi incrível!’Pilots Dug Into Some Cookies Appreciatively. But When They Read The Attached Note, They Nearly Choked (5)

Enquanto ele se afastava de ré em direção ao corredor, o avião ressoava com o som do motor que ele havia ligado. ‘Tenha um feliz Natal, filho!’, o capitão disse.
Parecia que Sam estava prestes a chorar de felicidade.

‘Eu terei, senhor, eu terei. Obrigado!’ Com um último olhar para o painel do avião, ele se virou e andou pelo corredor. Nós iniciamos as outras turbinas, decolamos, e chegamos em Macon mais ou menos 40 minutos depois.

Na manhã de Natal, enquanto nos preparávamos para a viagem de volta para Atlanta, um dos agentes de portão entrou. ‘Ei, gente, a mãe de uma criança veio hoje de manhã. Ela queria se certificar que eu agradeci você por mostrarem as coisas pro filho dela na noite passada. Ela disse que ele não conseguia parar de falar sobre a cabine de comando. Ela deixou isto para vocês.’

O agente deixou um pote vermelho de biscoito entre eles.

Pilots Dug Into Some Cookies Appreciatively. But When They Read The Attached Note, They Nearly Choked (6)‘Bem, vamos ver’, o capitão disse. Ele mordeu um dos biscoitos de chocolate do pote. Então, ele abriu o bilhete preso à tampa e o leu em silêncio.Ele suspirou profundamente e se virou para mim: ‘O menino tem câncer’, ele disse. E leu a nota em voz alta:

Caros senhores,
Obrigado por deixarem Sam ver vocês trabalhar na noite de Véspera de Natal. Sam tem câncer e tem passado por quimioterapia em Memphis. Esta é a primeira vez que ele esteve em casa desde que o tratamento começou. Nós levamos Sam de carro para o hospital, mas, como ele ama aviões, nós decidimos voar com ele de volta para casa. Não sabemos se ele jamais irá voar novamente.O médico disse que Sam talvez tenha apenas alguns meses de vida. Sam sempre sonhou em se tornar um piloto de avião. O voo de Memphis para Atlanta foi emocionante para ele. Ele não tinha certeza se voar em um de seus “pequenos” aviões seria tão divertido, mas vocês dois lhe deram o melhor presente de Natal que ele poderia imaginar. Por alguns poucos minutos, o seu sonho se tornou realidade, graças a vocês.

Eu olhei para fora e vi a pista reluzente sobre o sol à nossa frente. Quando eu me virei de volta para Jim, ele ainda estava olhando para a nota. Uma aeromoça entrou e disse que os passageiros estavam prontos para decolagem. Ela guardou os biscoitos e nós passamos pela lista de verificação. Então, o Capitão Jim limpou a garganta e avisou: ‘Iniciando a número quatro.’Pilots Dug Into Some Cookies Appreciatively. But When They Read The Attached Note, They Nearly Choked

Eu queria estar em casa com meus entes queridos, trocando presentes no feriado. Mas aquele menininho me mostrou que, às vezes, os presentes mais importantes são os que damos inconscientemente, e que recebemos os mais preciosos de estranhos.”
Fonte: Allt Inför Semestern, tickld14612538_351189651886443_2129261597777666649_o
Acredito que a rotina vai nos deixando acostumados com esse fascinio que nos levou a entrar na Aviação,ate que algo nos faz pensar a respeito-Estava efetuando um VP 382 entre Rio Branco a Manaus,quando apos fazer um Speech convidando passageiros a visitar a cabine (decada de 80 ),um senhor idoso entrou , ficou maravilhado e me disse que foi o sonho da vida dele ser piloto.Olhando nos olhos dele senti a sinceridade e a vontade que tantos sonharam e poucos conseguiram…

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Lotus e Renkon

Todos nós sabemos que a flor de lótus é um símbolo do Budismo, mas isso é  tudo o que há para ela?PQAAADBogFKeSmpUj-Hs2dImjypCiUEYUD-CqGWDWr8aIRwnIA2P8Dn3hIKZ5BLzKjuI-ZG2JXmw6OQQ3IR4NE-vWlYAm1T1UMB-MGgpKaHSDFlr3bkao9jmThTX

A flor de lótus não é uma flor qualquer – é uma flor do poder! É maior que a vida, maior do que você e eu. Mas você também pode compreender a essência do lótus.

A flor de lótus é reverenciada no Japão pela sua habilidade de se levantar das águas sujas, obscuras e ainda permanecer pura e bonita. Este processo simboliza alcançar a iluminação. A idéia é que podemos nos elevar acima do sofrimento humano da mesma maneira que o lótus, movendo-nos do mais baixo para o mais alto estado de consciência.

Como todas as flores, a beleza é passageira ,assim mesmo a flor de lótus deve morrer. Isso mostra o interminável ciclo de vida, morte e renascimento. A menos que naturalmente você alcançe o Nirvana, em que o ciclo termina quando você alcança um estado sem sofrimento. Embora a flor de lótus seja um símbolo de iluminação, eu me pergunto se alguma vez chegarei ao nirvana. Eu também me pergunto que tipo de sofrimento a flor de lótus sofra.

Kanrensetsu é a visão de flor de lótus que pode ser feito em barcos de visão especial da flor de lótus em lagoas ou lagos, ou participando de festivais. Na Provincia de Okayama, o Parque Korakuen abre às 4:00 no primeiro domingo de julho para a visualização anual da flor de lótus. Paparazzis podem entrar no parque antes do nascer do sol para pegar a lagoa de lótus vir à vida no raiar do dia. Tantas flores conseguindo iluminação ao mesmo tempo, é dito que você pode ouvir as flores quando desabrocham.0000018921_e_1280x720

Há pelo menos dois tipos de flores de lótus na lagoa, o Ittenshikai (que significa “universo” lotus? UAU!) e o lótus Oga. Não se preocupe se você não estiver familiarizado com esses nomes; Há mais de 800 nomes diferentes de flores de lótus. Se você não chegar cedo o suficiente para pegar as flores abrindo, você ainda pode observar as flores já abertas,ainda é incentivado a tomar chá com eles.

Flores de lótus aparecem simbolicamente em todo o Japão também. A montanha sagrada do Monte Koya, 800 metros acima do nível do mar, encontra-se em uma bacia cercada por oito picos, dando-lhe a aparência de uma flor de lótus florescendo e por isso foi escolhida para ser o Lar Eterno de Kobo Daishi.

16265651_249327048843296_3581785066775980224_n Buda e os bodhisattvas são muitas vezes retratados sentados em flores de lótus,mostrando  algumas flores de lótus duplas como cadeiras. Muito confortáveis, gostaria de imaginar que esta poderia ser a chave para sentar longos períodos de tempo em uma posição meditativa. Esqueça as esteiras, traga  coisas para o mundo real! Outros bodhisattvas são retratados meramente prendendo as flores de lótus, assim  suponho que nós podemos estender nossas mãos a eles na forma de amizade .

A “posição de lótus” no Yoga, por sinal, é assim chamada porque você se parece com uma flor de lótus quando se senta dessa maneira. Imagina isso? Você está mais perto da iluminação do que pensava. Por outro lado, ninguém diz o que você parece ser, se  não consegue se sentar nessa posição.

Você também encontrará o símbolo de lótus que representa o ventre do mundo na Womb World Mandala do Budismo Shingon. Aposto que você não sabia que o mundo tinha um útero, não é? Deixe isso para o lótus, maior que a vida.

Uma coisa é certa embora: A raiz de lótus fica para baixo no lodo e suja. Na verdade, as próprias raízes podem crescer até 1,2 metros de comprimento.
Renkon-Lotus Renkon, ou “raiz de lótus” (que é realmente o rizoma), é uma parte integrante da culinária japonesa. Como uma comida sazonal, é comido no outono e inverno, e é servido no Ano Novo como um alimento auspicioso.

O fato de que renkon ter buracos  o torna um vegetal muito elegante . Coloquei-o na categoria de outras coisas legais com buracos, tais como donuts, queijo suíço e moedas de ¥ 5 . Pessoalmente, eu acho que os buracos   parecem rodas de vagão fatiado. Fazem deles grandes pratos de vegetais comestíveis. Alguém está ficando com fome? Tente renkon cru em saladas ou fritos como tempura.

Você também pode comer as folhas e as sementes da flor de lótus. A fragrância de lótus é usado em óleos, loções e sabonetes.Como se isso não bastasse, o lótus  ainda tem o sutra mais famoso que recebeu seu nome. O Sutra de Lótus é o ensinamento mais notável de Buda sobre “o vazio” como um passo necessário para a iluminação. Talvez seja por isso que a raiz de lótus tenha buracos – para mostrar suas raízes vazias.
Fonte-AMY CHAVEZ

Japan Times

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Quando um Nome fez Sucesso no Japão

Embora a bolacha de creme e chocolate  conhecida como KitKat seja vendido em mais de 100 países, em nenhum lugar encontrará essa criatividade, variedade e originalidade do que no Japão. O entusiasmo de Japão para o deleite simples do chocolate alcançou proporções épicas, rivalizando a marca local Meiji na popularidade. O que levou ao sucesso do KitKat japonês?

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Em geral, o chocolate tradicional não atrai os japoneses – que preferem seus lanches com um pouco menos de açúcar – diferente dos mercados ocidentais. No entanto KitKat tem sido um Best-Seller  desde seu lançamento em 1973. Há uma boa razão para isso.

O sucesso inicial do chocolate foi devido a nada mais do que uma feliz coincidência: ‘KitKat’, pronuncia-se ‘Kitto Katto’ no Japão e soa como ‘kitto katsu’ que significa ‘você certamente vai ganhar’. Todos os anos em meados de janeiro, a empresa nota um aumento nas vendas na epoca de exames finais. KitKat era e ainda é usado como um encanto da sorte ou um presente da boa sorte aos estudantes que preparam-se para as provas.
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A KitKat estava contente em lidar com esse sucesso inicial até o início dos anos 2000. Até então, o mercado local estava exigindo novidades e escolha de sabores. A fim de continuar a apelar para os gostos japoneses, eles tinham que ficar mais competitivos e serem criativos. A ampla variedade de mais de 300 sabores do KitKat japonês pode ser atribuída a táticas de marketing inteligentes. Os japoneses adoram apoiar suas localidades vizinhas e é tradição trazer de volta de viagens, pequenos presentes conhecidos como Omiyage para colegas, amigos e família de volta para casa. Portanto, o KitKat comprado a partir da estação em Sapporo não seria apenas de frutas com sabor, mas o sabor do melão de Hokkaido , a fim de transformá-lo em um gotochi ( produto regional).

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A embalagem também foi projetada para atrair a cultura omiyage. O KitKat comum da mercearia muitas vezes vem em um grande saco ou caixa cheia de barras menores, individualmente embrulhadas, não muito diferente da embalagem que a empresa usa para o Halloween no Exterior,Aeroportos e estações de trem.

Eles vêm em uma embalagem grande com caixa multi-sabores, perfeito para compartilhar com amigos e familiares de volta para casa. Algumas destas criações da edição especial vêm do final luxuoso da escala da produção .

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A fim apelar à inclinação japonesa para a novidades, a maioria de sabores de KitKat são especialidades limitadas de edição. São criados frequentemente para serem lançados junto com a estação do ano ou o evento nacional. Alguns, como a abóbora, podem ser trazidos de novo anualmente. Outra coisa interessante sobre o KitKat japonês é que a originalidade não pára nos sabores. Tem  sabores de pudim destinados a entrar no forno, kitKats finos que podem passar pela caixa de correio, para não mencionar uma infinidade de sabores: KitKat pizza, cheesecake e croissant para citar apenas alguns.

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Mas o KitKat de produção em massa não se compara ao KitKat Chocolatory, onde são criados chocolates de luxo de alta qualidade feitos com cobertura autêntica.

Yasumasa Takagi, um chef de patisseria altamente qualificado com décadas de experiência, está por trás das novas criações de sabor. Usando ingredientes  locais como a folha em po de cerejeira, taro de Okinawa e sake, os sonhos de Takagi acima ,faz criações fantásticas do chocolate. Esses luxos só estão disponíveis em lojas Chocolatory encontradas em todo o Japão, como essa dentro da loja de departamento Seibu em Ikebukuro.

Fonte-Alicia Joy
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O uso de palavras estrangeiras leva a constrangimento as vezes em todos os paises,necessita um estudo das empresas.Um exemplo seria Calpis (uma bebida ) que os japoneses pronunciam como Cow Piss

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O Japão das Dunas e Montanhas

A região de San’in (山陰 地方 San’in Chihō) É uma área no sudoeste de Honshū, a ilha principal do Japão. Consiste na parte norte da região Chūgoku, de frente para o Mar do Japão.
O nome San’in na língua japonesa é formado de dois caracteres do Kanji. O primeiro, 山, “montanha”, eo segundo, 陰 representa o “yin” de yin e yang. O nome significa o lado norte, sombrio das montanhas em contraste com a região de yang “sul, ensolarado” San’yō ao sul.Ela está longe do centro industrial e cultural do Japão e a região é conseqüentemente economicamente subdesenvolvida em comparação com as outras regiões . A paisagem permanece rural e não-industrializada e as áreas urbanas da região são descentralizadas.400--8f9bed9612de11c9cfad3a24c10ed884

As dunas de Tottori são dunas gigantescas que foram declaradas como monumento natural do Japão. São as maiores do país nas quais pode-se fazer turismo e outras atividades. Estendem em forma de um retângulo de 2,4 km de comprimento de norte a sul e 16 km de leste a oeste. A diferença de elevação é de 90m no seu ponto mais alto e dessa altitude já se pode avistar o Mar do Japão. A paisagem ao entardecer é muito bonita e deve ser local de visita obrigatorio.

tottori2Nessas dunas pode-se passear de camelo; não é possível adentrar à zona de paisagem protegida, mas se for de camelo poderá experimentar uma forma de fazer turismo totalmente diferente da  caminhada pela praia.
Tottori e Shimane são as prefeituras menos povoadas no Japão e a população está envelhecendo a uma taxa mais rápida do que no resto do Japão. As cidades na região com uma população de mais de 100.000 habitantes são Tottori e Matsue e as mais recentemente industrializadas são Yonago e Izumo, uma cidade formada a partir de numerosas cidades menores e aldeias após a Segunda Guerra Mundial.
A produção agrícola da região de San’in, entretanto, permanece muito elevada. Suas amplas áreas costeiras e montanhosas são protegidas como Parques Nacionais e essas áreas são agora populares destinos turísticos.

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A flor de Buda em Mombuca

A flor de lótus, símbolo do budismo, desabrocha em Mombuca, comunidade rural japonesa no interior de São Paulo.

flor_de_lotus_01Ainda está escuro e o céu limpo avisa que será mais um dia de sol quente, como quase todos na colônia Mombuca, no interior de São Paulo. Quando o céu começa a clarear, pode-se ver melhor a plantação de flor de lótus. As plantas são altas e nascem no meio de um charco. Podem-se ver os grandes botões prontos para abrir. Alguns são completamente brancos, outros têm um dégradê de rosa. Sobre as largas folhas, muitos pássaros aguardam a hora de partir. O tempo é de espera: ocasionalmente, turistas vêm de longe para observar o desabrochar do lótus, que só acontece entre dezembro e janeiro. Um costume que se repete todos os anos no Japão, de onde as primeiras sementes foram trazidas. Depois de longos minutos de observação, um sol dorminhoco começa a surgir. E, como se se espreguiçasse, espalha devagar sua luz suave sobre as flores, ainda respingadas do orvalho da noite. Nessa hora, quem madrugou para ver o lótus se abrir percebe que tem companhia: as abelhas já estão agitadas, rodeando os botões, também a espera do desabrochar.

flor_de_lotus_02Localizada no município de Guatapará, a 65 quilômetros de Ribeirão Preto, Mombuca é um bairro rural, fundado por um grupo de 12 famílias de imigrantes vindos do Japão em 1962. Hoje, são 118 famílias japonesas (e 250 brasileiras), que se dedicam a várias atividades rurais: cultivam arroz, milho, banana, flores ornamentais, cogumelos… Também investem em granjas e suinocultura. Estavam buscando opções às dificuldades que seu país ainda enfrentava no pós-guerra. Não foi exatamente um bom negócio. Pouco tempo depois, seguindo ao sucesso das Olimpíadas de Tóquio, em 1964, o Japão iniciou uma trajetória ascendente de desenvolvimento econômico, até tornar-se o país rico que é hoje. Alguns colonos não negam que se arrependeram. Mas, já instalados no Brasil, não encontraram outra opção que não fosse transformar as terras compradas em uma colônia próspera. Na união social, mantêm ainda hoje velhos hábitos, como a predominância do idioma natal, as comemorações anuais, o esporte. O ponto central dessa união é a sede da Associação Agrocultural e Esportiva de Guatapará, fundada em 1968. Lá, os colonos trocam informações, organizam festas, recebem apoio, tomam um chá. É também o local onde as crianças têm aulas de língua japonesa e as senhoras ensaiam danças típicas. Entre as tradições mantidas está o ikebana.

O agrônomo Júlio Takagi, com cápsulas de sementes – elas crescem depois que as pétalas das flores de lótus caem. À esquerda, uma plantação

Emiko Kyozuka mostra à pequena Yuka a delicadeza da tradição da Ikebana. Ao fundo, Mioko Takagi, exímia cozinheira, mestra no preparo do renkonflor_de_lotus_05
Mioko Takagi, antiga moradora, convida Emiko Kiozuka, mestra em ikebana, para uma visita a plantação de flor de lótus, logo ao amanhecer. É nesse horário, quando o sol já está de todo acordado mas ainda não criou força, que os botões abrem suas pétalas, como se despertassem de um sono tranquilo. Em poucos minutos, a plantação está plenamente florida e as abelhas se divertem mergulhando nos miolos finalmente a mostra. No fim do dia, a maior parte estará novamente fechada, para, na manhã seguinte, repetir o ritual. Mas sua beleza é efêmera. Ao final de quarenta e oito horas, as pétalas caem. Esse processo lembra o preceito budista da impermanência, que diz que tudo na vida está em constante transformação. Mioko e Emiko conhecem bem esse preceito e se apressam para escolher as flores e botões mais uniformes, antes que eles mudem de humor. Já em casa, elas vão montando delicados arranjos em vasos apropriados. Não basta escolher as flores mais bonitas, o arranjo segue uma sequência simbólica, já que a ikebana surgiu como uma espécie de oferenda espiritual. E a flor de lótus cabe muito bem nessa tradição, já que é considerada sagrada na Ásia por ser associada a várias simbologias espirituais. Emiko, que é esposa de um monge budista, explica, com um sorriso calmo, parte dessa simbologia: ‘O Buda mora na flor de lótus’. São colocados nos vasos, além de folhas, os botões, as flores e as cápsulas de sementes que tomam forma depois que as pétalas caem. Eles representam respectivamente o futuro, o presente e o passado. Esses minutos gastos na montagem de uma ikebana são preciosos, são o tempo da harmonia.
flor_de_lotus_06Noritada Miyasaki é um dos raros produtores de flor de lótus do Brasil. Os rizomas em seus braços serão usados em receitas culinárias
Aproveitando o apelo estético, Otaíde Vieira de Souza fornece flores para floriculturas. Em acordo com o floricultor Wilson Takagi, que parte para cidades maiores levando suas orquídeas, Otaíde escolhe cuidadosamente alguns botões e cápsulas de sementes para serem usados em arranjos. Mas isso é uma exceção, os produtores de flor de lótus, curiosamente, não se preocupam muito com esse tipo de venda. É que essas plantas, apesar de sua beleza exuberante, não são cultivadas para uso ornamental. Elas estão ali para produzir alimentos. Pois é… alimentos!

Seus rizomas – parte do caule submerso – são transformados em tradicionais pratos da comida japonesa. Conhecidos como renkon (ou lenkon, na pronúncia dos japoneses de Mombuca), são utilizados fritos, refogados, em sopas, em bolinhos de carne. A textura é macia e fibrosa, semelhante ao broto de bambu, e o sabor é leve. O senhor Souza, que planta o renkon há mais de vinte anos, lembra uma grande vantagem: é um cultivo isento de qualquer aditivo químico. ‘É um produto que tem mais saúde, é natural.’ Para os produtores, o lucro é grande, já que a raridade do produto permite um preço elevado. Nos tempo da colheita, entre março e novembro, uma caixa com cerca de 20 quilos fica em torno de 35 a 60 reais, mas fora de época (como agora), pode chegar a 120 reais. Mas não é um cultivo dos mais fáceis. Plantar não é o problema, mas a colheita sim. É preciso enfrentar o charco e entrar sem medo nas águas escuras que lhe servem de base. Então, enfiar as mãos enluvadas para buscar os rizomas. Tudo sob um sol ardente. Natural do Japão, Noritada Miyasaki chegou ao Brasil há mais de 40 anos, já que sua família fazia parte das primeiras que formaram a colônia. Para garantir um bom retorno financeiro, Miyasaki beneficia parte de sua produção, agregando valor. Modesto e discreto, ele diz que não ganha muito dinheiro. Mas a verdade é que desde 1991 ele abandonou o plantio de milho e soja para se dedicar a essa cultura. Ele é um dos quatros produtores de renkon da Mombuca. Agora, bote reparo neste detalhe: no mundo todo, a flor de lótus raramente é cultivada. Natural da Ásia, é abundante em todo o continente. Mas o cultivo com fins comerciais quase não existe. No Brasil, então, é ainda mais raro. Em grande escala, apenas em Mombuca. Ver a plantação florida, no curto período em que isso ocorre, é realmente uma oportunidade rara.

flor_de_lotus_07O renkon é muito apreciado nas comunidades. Os ‘furinhos’ simbolizam os caminhos a serem percorridos. Por isso não podem faltar nas festas de Ano-Novo
Por isso, de tempos em tempos, turistas vêm de longe para observar esse momento único. Em dezembro de 2008, um ônibus lotado veio da capital paulista. Eram praticantes de ikebana que ficaram um longo tempo na beira do charco a espera de ver as flores desabrocharem dando boas-vindas ao dia que começa. Quem madruga com essa boa vontade pode não encontrar Buda meditando sobre as pétalas. Mas compreenderá porque essa flor é considerada sagrada: há mesmo algo de divino na sua imponente e delicada presença.
Texto Mônica Trindade
Fotos Su Stathopoulos-Globo Rural/2015

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