O Boom da Aviação

Segundo o comunicado oficial da Emirates, os interessados em se candidatar a uma vaga na empresa precisam levar em consideração algumas exigências técnicas, como o mínimo de 7 mil horas de voos no comando de aeronaves, fluência em inglês e experiência mínima de mil horas de voo em aeronaves de grande porte e em voos de longa distância nos últimos três anos.

A380 da Emirates 6402644
© AP PHOTO/ BRANDON WADE

Os contratos de trabalho são diferentes para os pilotos dos aviões de passageiros e de carga, conforme destaca o comunicado da empresa. Para os pilotos de aviões de passageiros, a escala de trabalho mensal inclui um mínimo de oito dias de folga e turnos que alternam entre voos longos e ultra longos. As viagens podem ter de um a nove dias de duração e os descansos entre os voos podem ter de 24 a 48 horas. Os dias de folga são tirados em Dubai. O salário é de 42.695 dirhans (R$ 37 mil) e a moradia pode ser fornecida pela companhia. Do contrário, o funcionário recebe um adicional de 16.075 dirhans mensais (R$ 14 mil) para pagamento de aluguel. Os profissionais também têm direito a 42 dias de férias por ano.

“Os pilotos de voos de carga fazem uma escala de 28 dias de trabalho com 13 de folga, voando em média de 500 a 600 horas por ano. Os voos também são alternados entre longos e ultra longos e geralmente as viagens têm mais de cinco dias de duração. Os períodos de descanso podem durar de um a cinco dias e as folgas podem ser tiradas em Dubai ou em outra localidade. O salário para esta categoria de pilotos é de 35.375 dirhans (R$ 30,7 mil). Caso não receba moradia pela empresa, há ainda um adicional de 12,5 mil dirhans (R$ 10,85 mil) para aluguel. As férias anuais são de 12 dias. Todos os pilotos contratados irão residir em Dubai.”

Atualmente, a Emirates tem mais de 120 pilotos brasileiros e mais de 800 funcionários do Brasil no total. A empresa opera voos diários entre São Paulo e Dubai em um Airbus A380, e entre o Rio de Janeiro e Dubai em um Boeing 777-300ER.

 Para Edmir Antonio Gonçalves, proprietário da EJ Escola de Aviação Civil, com sede em Itápolis, São Paulo, cidade da qual é prefeito, os pilotos brasileiros devem-se sentir enaltecidos e valorizados pelo interesse da Emirates em contratá-los. Segundo ele, isso é bom para ambas as partes.

“Os pilotos brasileiros se destacam pelas suas qualidades, pela sua dedicação, pelo seu profissionalismo ao trabalhar num país tão extenso como o Brasil. Temos, sem dúvida, grandes pilotos que agora são atraídos por esta oferta da Emirates, o que só virá valorizá-los ainda mais pelos salários e pela qualidade de vida que a empresa oferece. A Emirates tem um centro de treinamento em Dubai, um dos melhores do mundo, e nós, brasileiros, somos muito bem recebidos lá. Tenho vários amigos pilotando para a Emirates e eles atestam isso. A Emirates fez de Dubai o seu hub e, de lá, a conexão com 155 destinos em várias partes do mundo, se não me engano”, afirmou ele em entrevista à Sputnik Brasil.

Entre os muitos brasileiros que já atuam para a companhia árabe, Gonçalves lembra com carinho de um em especial, com o qual mantém uma relação antiga:

“É com muito orgulho que cito o fato de que o primeiro pouso de um avião Airbus A380 da Emirates no Brasil foi realizado pelo comandante Pablo, um piloto formado em nossa Escola de Aviação EJ. O pai dele foi comandante na (extinta) Vasp junto comigo e o filho tirou o brevê na nossa escola. Depois, fez cursos de aperfeiçoamento e hoje é piloto de Airbus A380 da Emirates, tendo efetuado o primeiro pouso deste avião no Brasil por esta empresa.”

Comandante muito experiente em empresas nacionais e internacionais, Milian Heymann também considera muito importante o aproveitamento de pilotos brasileiros fora do país. Para eles, esses profissionais, de altíssima qualidade, são muitas vezes mais valorizados no exterior do que dentro do Brasil.

“Por que acontece isso? Porque é da cultura brasileira achar que funcionário é peça de reposição fácil quando não é. A máquina, quando dá problemas, pode ser consertada ou reposta. Com o profissional, é diferente. Leva anos preparar um piloto de alta qualidade. E, nesse particular, o Brasil está muito bem servido. Por isso, a Emirates vem buscar aqui reforço para o seu quadro de pilotos. Trata-se de uma grande empresa contratando grandes profissionais”, opinou Heymann.

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