A lenda de Urashima Taro

em-cima-da-tartarugaHá uma antiga lenda japonesa datada do período Muromashi (século XV): Era uma vez um humilde pescador chamado Urashima Taro. Certo dia retornando do trabalho, caminhando pela praia, percebeu que uma tartaruga estava sofrendo maus tratos de um grupo de meninos, foi em seu socorro. Pediu aos meninos que a deixassem em paz. No entanto, eles disseram que, como tinham achado a tartaruga, ela lhes pertencia e podiam fazer o que bem entendessem com a criatura. O pobre e bondoso pescador, então, ofereceu a eles os poucos trocados que havia conseguido com a venda dos peixes daquele dia em troca da pobre criatura. Os garotos pegaram o dinheiro e deixaram a tartaruga ferida. O pescador tratou de seus ferimentos e a soltou no mar.
Na manhã seguinte, Urashima bem cedo na madrugada pôs seu barco de pesca na água, e o mar o levou para longe, bem longe dos barcos dos outros pescadores. Logo o sol nasceu, e, longe da companhia humana, Urashima pensou no quanto seria bom viver uma longa vida como a de uma tartaruga.

Enquanto sonhava acordado, foi surpreendido por uma voz que chamava seu nome em pleno alto-mar. Não havia ninguém por perto, exceto uma enorme tartaruga ao lado do barco. Ela contou que a tartaruga menor que ele salvara na noite anterior era a filha do Imperador do Mar, que gostaria de vê-lo e agradecer por ter-lhe salvo sua vida.

Ele aceitou o convite e viajou para o fundo do mar sentado no casco da enorme tartaruga, que fez brânquias crescer em seu corpo através de mágica, assim ele poderia respirar debaixo d’água. Eles viajaram até o Palácio de Ryūjin, o Dragão Imperador do mar.
Chegando lá, conheceu tanto o Imperador como sua filha, que agora não era mais uma tartaruga, mas sim uma linda princesa chamada Otohime.
A Princesa Otohime, encantada com a visita de Urahima, ofereceu-lhe durante dias e dias muitas festas e divertimentos. Acabaram por casar-se, e cada novo dia trazia novas maravilhas e prazeres. Muitas vezes, porém, o pescador lembrava em seus pais que o esperavam em casa, e sentia o coração pesado, pelas saudades e pela sensação de ingratidão por estar em tão boa vida enquanto seus velhos pais provavelmente passavam por necessidades em virtude de sua ausência e da falta que o fruto de seu trabalho. Assim, três anos depois de sua chegada ao reino mágico desejou voltar ao lar, para passar ali alguns dias e depressa voltar para sua encantadora esposa.
Antes de consentir em tal coisa, a jovem princesa chorou longamente, pois receava perde-lo e também por não poder acompanhá-lo fora de seu reino sob as águas. Depois, deu-lhe uma caixinha dizendo-lhe que se chegasse a abri-la jamais tornaria a voltar para junto dela. Prometendo que jamais desataria o cordão de seda que mantinha a caixa fechada o pescador, conduzido pela tartaruga, regressou à baía natal, e mais uma vez viu-se de pé sobre a praia.
O chalé onde morava seus pais ali não existia mais. Pontos de referência da paisagem, que ele tão bem recordava, tinham desaparecido. A aldeia pareceu-lhe estranha e os rostos das pessoas lhe eram desconhecidos.
Perguntando qual o caminho para a casa da família Urashima, um ancião contou-lhe que Urashima Taro desaparecera no mar havia mais de 300 anos, e que sua sepultura e as das pessoas de seu sangue estavam no velho cemitério, que não mais era usado.
Ele foi ao cemitério, e mal pôde ler os nomes gravados sobre as lapides, de tal modo era antigo o trabalho. Então, voltou para a praia, levando consigo o presente da sua amada, a filha do Deus do Mar.
Cismou, cismou, e acabou por pensar que talvez aquilo, a caixa e seu conteúdo, fosse a causa da estranha ilusão que o rodeava. Cheio de dúvidas, rompeu a promessa feita e, desatando o cordão de seda.
Dali saiu um jato frio e branco, e fumaça, e nada mais. Subitamente, sentiu que mudava, que seus cabelos tornavam-se compridos e brancos, que seus membros perdiam o vigor, que seu corpo murchava. Então ele compreendeu que estava separado de sua amada por toda a eternidade, que jamais voltaria a ver a bela filha do Dragão Rei do Mar, sua esposa. Desesperado, rebentou em soluços. Cheio de dor, diante do grande mar azul que encobria a morada do sonho em que vivera séculos de felicidade, ele tombou morto sobre a areia, esmagado pelo peso de 300 invernos.
A caixa guardava a passagem do tempo.

A saga de Urashima Taro 12A Varig lançou um video no inicio da Era Dekassegui com uma versão alegre dessa lenda,na epoca competia com a JAL e depois com a Korean Airlines,alem das Cias Americanas.

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