Pegando Avião No Laço

Acho que esse vaqueiro se inspirou no 4 ganchos de Aterragem dos Porta-Aviõesgaucho-laca-aviao

Nada nos pode parecer mais estranho do que a notícia de que um homen tenha laçado um avião. A vontade que a gente sente é mesmo de duvidar, duvidar integralmente. Mas, a verdade é que a extraordinária façanha aconteceu no pampa gaúcho.
O fato pode parecer à primeira vista uma espécie de reação do gaúcho que confia no cavalo como meio de transporte diante das melhores atrapalhações do progresso. Esta é uma conjetura. A realidade é que o avião foi laçado, prêso e bem fortemente por um laço de 13 braças e quatro tentos.
Érico Veríssimo criou um curioso personagem no seu último livro. É o velho Babalo. O homen tinha profunda ogeriza pela aviação e todas as engenhocas que andam e fazem barulho. Sempre que um aviãozinho rugia nos céus de Santa Fé, o chacareiro erguia o braço cabeludo e botava feia descompostura à boca fora:
Vão trabalhar vagabundos!
O vaqueiro Euclides Guterres, bonitão e frajola, nascido no alto da Serra, mas que veio para a coxilha, bem cedo, diferente do velho Babalo, até que gostava de aviação e coisas modernas. É o tipo característico do peão de estância dos dias que correm, sem literatura, e que poderá ir para o rodeio de “jeep” como fazem muitos fazendeiros do sul, guardando o cavalo para um fim de semana na cancha reta.

c1qxrepxaaayb0nEuclides Guterres , nascido em Santa Maria,  se tornou celebridade instantânea no dia 20 de janeiro de 1952, quando tinha 24 anos de idade, ao laçar o avião CAP 4- (prefixo PP-HFE), que estava dando rasantes na fazenda de seu patrão.
O avião, pilotado por Irineu Noal, com histórico de apenas 20 horas de vôo, decolou do aeródromo de Santa Maria com destino à fazenda de Cacildo Pena Xavier (pai da ex-namorada do piloto) em Tronqueiras, onde ele terminaria seu relacionamento amoroso e devolveria as cartas à ex-namorada, que já estava noiva de outro. O piloto levou menos de dez minutos para chegar à localidade de Tronqueiras, que é uma Unidade Residencial do bairro Arroio do Só, no distrito de Arroio do Só – distrito de Santa Maria desde 1886.

Ao sobrevoar a fazenda, começou a fazer uma série de manobras rasantes próximas à cerca, onde  Guterres, depois de três ou quatro tentativas, conseguiu laçar a aeronave.
gaucho-03O avião não caiu porque a hélice do motor cortou o laço. Mesmo assim foi danificado, e o piloto Irineu recebeu uma multa e teve seu brevêt cassado.

“Eu não fiz por maldade. Foi pura brincadeira. Para falar a verdade, não acreditava que pudesse pegar o aviãozinho pelas guampas num tiro de laço”, confessou Euclides Guterres.

Irineu até hoje  guarda a hélice da aeronave com o pedaço do laço, segundo matéria do jornal Correio do Povo de 29 de janeiro de 2007 .

O Presidente do aeroclube procurou o jornalista Cláudio Candiota (1922-2012), diretor de A Razão, e contou a história, mas pediu para não divulgá-la, “para não causar prejuízo à imagem do estabelecimento sob sua responsabilidade”. O jornalista comentou: “Deixa comigo. Vou tornar este aeroclube famoso em todo o mundo”. Não só deu a notícia no seu jornal como no Diário de Notícias, de Porto Alegre, e telefonou para a revista O Cruzeiro. Esta, na mesma semana, mandou seu melhor fotógrafo, o gaúcho Ed Keffel, a Santa Maria, onde reconstituiu o episódio e o estampou em cinco páginas, amplamente ilustradas. Com circulação de mais de 700 mil exemplares, a reportagem de Cláudio Candiota repercutiu na imprensa mundial.

Texto de Claudio G. Candiota e fotos de Ed Keffel.

Publicado na Revista O Cruzeiro, número 19, em 23/02/1952.

time_feb11-1952The Hemisphere: The Cowboy & the Airplane
At handsome Euclides Guterres’ home on the south Brazilian cattle ranges, the skies were not cloudy all day—till the flying machines came. Then, a few years ago, some smart fellows bought themselves a lot of little airplanes and opened a flying club just a hoot and a holler from the ranch where Cowboy Euclides worked. After that, the crazy things flew all over the place, diving at his cattle, scaring his pony, and impressing the girls so much that for the first time in Euclides’ courting life, the girls had discouraging words for a mere ground-bound gaucho.
One day last fortnight, a little plane kept swooping low at his boss’s house. How was Euclides to know that the pilot was merely trying to get the boss’s daughter to come out of the house so he could drop her a love letter? Euclides got mad. Fed up with all flat-hatters, he rushed from the barn. Next time the plane came round for a low, slow buzz, he swung his trusty leather laço—and lassoed the plane’s propeller.
Euclides was knocked to the ground. His laço— snapped off. With 3½ metres of laço— wound around his propeller hub, the startled pilot headed for home. Though the wooden prop was cracked, he made it safely. The flying club grounded him; the girl threw him over. And Euclides, the only cowboy ever to lasso an airplane, was once again the lion of the dark-eyed ladies of Rio Grande do Sul.

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