Dogfight de Saburo Sakai e Southerland

7/agosto/1942
Guadalcanal, Ilhas Salomão, Oceano Pacífico SulShutelad+

Um dia claro, com sol ofuscante num céu sem nuvens. Por volta das 13h30, os Wildcats do VF-5, conhecidos como “Fighting Five”, provenientes do porta-aviões Saratoga, tinham acabado de interceptar e destruir uma formação de bombardeiros. Entre os pilotos da Navy, o Capitão James J. Southerland, que acabara de derrubar um G4M1 Betty.
Alí perto, no mesmo nível de voo e rota, uma formação de Zeros, vindos de Rabaul, entre eles, o Sub Oficial de 1ª Classe Saburo Sakai da Marinha de Guerra do Japão.
Os dois, Southerland e Sakai encontraram-se naquele, que seria o duelo aéreo mais vital de suas vidas e um dos mais emblemáticos da guerra no Pacífico.SaburoShuterland

Depois de uma longa e desgastante sequência de manobras onde nenhum conseguia obter qualquer vantagem sobre o outro, Sakai escreve no seu livro de memórias “– Atrás daquela alavanca de comando estava um homem terrível”.
Mas, vamos deixar que Sakai continue sua história: “– Contudo ele cometeu seu erro. O americano acelerou a potência do seu motor, entrou num loop e aquela foi a fração de segundo decisiva. Segui direto atrás dele cortando por dentro o arco do Grumman e sai sobre sua cauda. O Zero não podia ser superado por qualquer outro caça nesse gênero de manobra. E então, despejei 200 cartuchos na cabine do avião, observando as balas moerem e destroçarem o vidro.
Acelerei e aproximei-me do Wildcat, no mesmo momento em que este perdia velocidade. Devido a esse erro, logo me achei a dez metros adiante dele e encolhi meus ombros preparado para a fúria de suas metralhadoras. Caíra numa armadilha.

Mas, incrivelmente, as balas não vieram. As metralhadoras do Wildcat permaneceram em silêncio. Inacreditável. Voltei e coloquei-me outra vez sobre sua cauda, mas o piloto americano, apelando para suas últimas forças arremessou o caça para cima num loop. Eu queria o avião, não o homem e, então, visei cuidadosamente o motor e simplesmente toquei o gatilho do canhão. Um tiro de chama e fumo explodiu por fora do motor. O Wildcat rolou e o piloto saltou. A última vez que o vi ele estava sendo impelido em direção à praia”.

guadalcanal_631-jan07.jpg__800x600_q85_cropAgora, vamos à cabine do Wildcat, com o próprio Southerland explicando:
“– Meu avião estava em péssima forma, mas de alguma maneira ainda conseguia potência do motor e controle da hélice. Flaps e rádio não funcionavam e boa parte da minha fuselagem era como uma peneira por onde saia fumaça, mas não chamas. Toda a tampa da caixa de munição na minha asa esquerda tinha sido arrancada, e rasgos podiam ser vistos na superfície superior da asa. Meu painel de instrumentos estava estraçalhado, os óculos na minha testa tinham sido quebrados, assim como o espelho retrovisor. O plexiglass do para-brisa estava cheio de furos. Os tanques de combustível, aparentemente tinham sido perfurados e um pouco de gasolina vazou para dentro do assoalho da cabine. O tanque de óleo também fora perfurado e o líquido gosmento escorria pelo lado direito do avião. Então, quando o Zero fez novo disparo, o bom e velho F-12 finalmente explodiu. O flash foi abaixo e na frente do meu pé esquerdo. Eu estava esperando por isso e então pulei para fora, deixando-me cair pelo lado direito, embora não me lembre de como consegui fazê-lo”.

Southerland sobreviveu. Depois de fugir por três dias dos soldados japoneses, sofrendo pelos ferimentos, choque e exaustão, foi encontrado, tratado por nativos da ilha e devolvido ao Campo Henderson no final de agosto/1942. Voltou aos combates, lutando na Batalha de Okinawa em 1945 como comandante e líder da VF-83 a bordo do USS Essex.
Depois da guerra, Southerland tornou-se instrutor de voo na Academia Naval dos EUA. Morreu em 1949, devido a um acidente de decolagem com um jato ao largo da costa da Flórida.

Em 1998, alguns exploradores de relíquias militares, encontraram no fundo de uma ravina em Guadalcanal os destroços do que se imagina ter sido o Wildcat nº 5192 – F-12 de Southerland. Prova disso, foi a descoberta da pistola automática pt.45 que ele afirmou ter deixado no cockipt, quando saltou do castigado caça.
Investigações revelaram que a história de Sakai foi verdadeira. Examinando o motor do Wildcat, os pesquisadores encontraram indícios claros de que o cilindro traseiro tinha sido atingido por um projétil de grande calibre, algo muito parecido com 20 mm disparados pelos canhões do Zero.
Levando-se em conta que Sakai poupou um avião de transporte C-47 cheio de civis em Java e sua demonstração de pacifismo no pós-guerra é bem plausível que ele tenha poupado a vida de Southerland.

Contudo, a parte mais interessante e misteriosa refere-se ao fato do piloto americano não ter disparado, quando o Zero de Sakai o ultrapassou e ficou, por breves instantes, 10 metros à sua frente. O que aconteceu?
Os investigadores descobriram que algumas balas, ainda contidas nas cintas, haviam explodido dentro dos tambores, o que poderia ter travado o mecanismo de alimentação. De fato, em relatórios posteriores, Southerland afirmou ter recebido impactos em suas asas, quando do encontro com os Bettys, minutos antes de se haver com os Zeros de Rabaul. Contudo, há quem discorde disso, pois nos destroços havia metralhadoras do Grumman que ainda funcionavam e, por isso, é provável que Southerland simplesmente tenha ficado simplesmente sem munição, ou será que os dois homens se respeitaram?

Fonte -Air & Space

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Saburo-SakaiSaburō Sakai (坂井 三郎  derrubou 64 aviões,perdeu 1 olho num combate,(quando teve que fugir de 15 Hellcats em Iwo Jima, compreendeu porque tentaram impedir seu retorno ja que estava sem visão lateral conta no seu livro Samurai ! ),mas continuou voando ate terminar a II Guerra,falecendo em 22 de Setembro de 2000.

 

 

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