VASP, 11 anos no chão

26 de Janeiro de 2016, 11 anos que a VASP parou de voar.166013_538507479524337_223367025_n

Parece que foi ontem que a outrora gloriosa empresa de bandeira do estado de São Paulo encerrou suas operações, forçada pelo DAC que cassou suas linhas, pois a empresa vinha operando de forma cambaleante.

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Lembro de uma cena surreal, atendentes de check-in da VASP (as poucas que sobraram, afinal sem salário, diversos já estavam em outras empresas) gritando no saguão do Aeroporto de Salvador que embarcar “agora” para Brasília, Rio e Sampa custava apenas poucos reais, era o desespero em tentar lotar os aviões e por consequência ter alguma receita que viabilizasse os vôos. Já imaginou isso em uma empresa aérea? Já vi isso muito em ponto de ônibus com lotações, mas em aviões não.

Chegada do PP-SMU dos Estados Unidos.
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O último vôo da VASP foi o VP4265, operado pelo 737-300 PP-SFJ, ironicamente desmanchado em Porto Alegre após não ser adquirido pela BRA e nem pela Webjet como havia sido cogitado. Dos aviões da VASP apenas o PP-SFN permaneceu operacional e voa hoje na Sriwijaya Air da Indonésia como PK-CJS.51085_1243324680Sua frota ficou espalhada por aí, como podemos relembrar:

Manaus: PP-SFN, PP-SMB, PP-SPG
Brasília: PP-SMH, PP-SNA, PP-SPH
Salvador: PP-SMP, PP-SNB, PP-SPF
Recife: PP-SFC, PP-SPI
São Luís: PP-SFG
Guarulhos: PP-SMZ, PP-SFJ, PP-SNM, PP-SMW, além do já retirado de operação PP-SMC
Congonhas: PP-SFI, PP-SMG, PP-SMU, além dos já retirados PP-SOT, PP-SMQ, PP-SMS, PP-SNL, PP-SNN e PP-SFQ
Rio/Galeão: PP-SOU, o PP-SMT já havia sido abandonado lá desde Setembro de 2004
Confins: PP-SMA
Campinas: PP-SMR

Alguns aviões saíram vivos para contar história, como o PP-SOU que foi voando para os EUA e lá desmontado pelo seu dono. Já o PP-SFI e PP-SMW estão preservados em Araraquara (farei um artigo sobre tal, pois os visitei). O PP-SPH e PP-SMH foram adquiridos e estão preservados. Os “restos” do PP-SMA e PP-SMC estão em Minas Gerais, sendo o SMA em Vespasiano e o SMC em Contagem. Já a parte frontal do PP-SMZ virou mock-up de uma escola em Curitiba, PR. O PP-SMR virou aeronave de treinamento estático do aeroporto de Campinas e o PP-SMT largado no Galeão.

Os aviões SFC, SPI, SMQ, SMS, SNL, SNN, SFQ, SOT, SMG, SMU foram totalmente desmanchados em suas localizações. Estão com situação indefinidas o PP-SNM, PP-SNA, PP-SMP, PP-SNB, PP-SPF, PP-SFG. A empresa vive nos corações daqueles que voaram por ela, trabalharam por ela ou simplesmente a admiraram. Já os trabalhadores seguem coletando recursos para suas indenizações, através dos leilões (dos aviões que foram vendidos e preservados, de objetos e maquinário da empresa). Seu proprietário e último presidente, vive em Brasília onde tem uma empresa de ônibus urbano.

Eu vivo no EBAY, risos, sempre de olho em raridades como safety cards, timetables e afins da VASP. Minha coleção é relevante sobre a empresa paulista, cresci com um quadro do A300 em meu quarto e apesar de não ter trabalhado oficialmente na empresa (apenas prestado serviço e valeu muito pois acabei cuidando do PP-SMA por 30 minutos) é sem dúvida minha favorita, seguida da CRUZEIRO, TRANSBRASIL e TRIP, esta última fiz parte. Fui com um grande amigo, a esposa dele e a minha digníssima visitar o PP-SFI/PP-SMW em Araraquara, em aventura que contarei em outro artigo.

Fica sempre aquela dúvida no ar, e se o plano de recuperação com 6 737-300 tivesse sido colocado em prática? Como estaria a VASP? Teria voado mais longe, ou teria feito um vôo de galinha (como foi a BRA após o plano de recuperação com uma só aeronave?).

E se a justiça não fosse lenta e logo após a parada da empresa o seu patrimônio tivesse sido preservado (e não era pequeno, se formos pensar em GSE, Handling, prédios e suprimentos). A VASP servia nos seus últimos dias a ponte aérea SDU/CGH e a operação doméstica Guarulhos, Salvador, Maceió, Recife, Rio, Natal, Fortaleza, Teresina, São Luís, Belém, Brasília, Aracajú, Foz do Iguaçú, eram 15 aeroportos servidos em 13 cidades.

Talvez se tivesse voltado iria se concentrar nesses mesmos destinos, tirando fora a ponte aérea (por não ter volume de voos para competir), talvez tivesse retornado a Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. Enfim, perguntas sem respostas, ficando apenas no campo da imaginação…
Post de Alexandre Conrado

A CHAMA QUE NÃO SE APAGA

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