O Ditching do Constellation

Geraldo Werner Knippling-autor do livro “Varig, Eterna Pioneira”é um dos mais experientes, respeitados e influentes pilotos da história da aviação comercial, não apenas no Brasil como no mundo. Foi piloto-chefe da VARIG, desde 1954 até a sua aposentadoria, com 40.000 horas de voo. Poucos pilotos podem olhar para trás e ver, em sua CIV, uma amplitude de tipos tão vasta quanto o Junkers F.13 ou o Jumbo 747.

PP-VDAO PP-VDA, o primeiro dos Super Constellations da Varig, fazia um vôo para Nova York quando aterrissou em Ciudad Trujillo na manhã do dia 16 de agosto de 1957, com o motor nº 2 (motor interno do lado esquerdo) parado e com hélice embandeirada.

O pouso ocorreu sem problemas, mas não havia motor reserva disponível. Os passageiros foram embarcados em outros vôos, e o comandante Werner resolveu fazer um translado trimotor, para reparar o avião em Nova York, com uma escala em Miami, com peso reduzido e só com os tripulantes.

(Operação prevista nos Manuais de Operações das Cias Aereas,a minha ressalva e com os tripulantes comerciais que não deviam ter embarcado ).

PP-VDA2

Às 11:16 h, hora local, o avião decolou, com 3 motores (1, 3 e 4), para Miami, com 11 tripulantes a bordo. Cerca de 50 minutos depois, a hélice do motor nº 4 disparou. A tripulação não conseguiu sanar a pane, e com o esforço excessivo no eixo, a hélice acabou se desprendendo do motor, atingindo a hélice vizinha, a nº 3.

0A tripulação foi obrigada a embandeirar o motor 3 e o único motor disponível era o nº 1, na ponta da asa esquerda. Com um motor só, a tripulação não conseguiu manter o avião voando.
Cte Werner-Ao chegar perto da água, vi que as condições para pouso não eram boas, o mar estava batido. As vagas são constantes, mas as ondas vêm ao sabor dos ventos, variam mais. Se o vento sopra perpendicular às vagas, não poderia pousar  contra as ondas. Então resolvi pousar a 45º. A severidade da pancada foi tremenda, arrancando a cauda.

Pousou paralelamente à costa, ao largo de Puerto Plata, Republica Dominicana, a apenas 500 metros da praia. O pouso foi bem sucedido, mas um comissário, que não sabia nadar, morreu afogado. O avião afundou, alguns minutos depois, em uma profundidade de 40 metros, e nunca mais foi resgatado, seus restos ainda estão lá, 50 anos depois.

Uma outra situação critica nessa entrevista com o Cte Ivan Ademar Ditschener  da Varig.

Repórter-Nesses 32 anos passou por alguma(s) situação crítica?

Diria situações anormais, algumas. Contudo, no que poderia ser considerada como crítica, foi num Electra decolando de Teresina para São Luiz, Maranhão. Após a V1 um pássaro entrou na turbina 3. Aguardei a rotação já pensando “vou para São Luiz”  trimotor, destino final do voo. Foi então que aconteceu o alarme de fogo na 4. Foi feito o procedimento de combate, sendo necessário o uso de uma das garrafas da turbina 2. Aí, não teve jeito, fiz uma longa aproximação, e pousei bimotor. No desembarque, estava a bordo o time do Santos. E o Negão Pelé saiu branco. As duas turbinas paradas estavam do lado dele.

Mas não consideraria esta como uma situação crítica. Fomos treinados para isso.

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