Os 60 Anos da Evaer-A Ultima Escala

A primeira turma da escola da Varig foi criada em 1952, com a primeira turma da Evaer. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de 30 companhias nacionais _ a maioria falida nos anos seguintes _ investiram na aviação. O aquecimento do mercado provocou a escassez de pilotos, antes formados pelo Centro de Preparação de Oficiais da Reserva da Aeronáutica.

Quem se formou, saía empregado. Criada em 1927, a Varig despontara como a principal empresa aérea nacional na década de 1950 e precisara formar pilotos e mecânicos para fortalecer os planos de expansão. Dos 40 inscritos, 22 foram selecionados.
Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS13_11_24dsc001

Eles foram donos dos céus, senhores do ar, soberanos das asas. Na cabine de comando de modestos DC-3 ou possantes Boeing 747, foram reverenciados por chefes de estado e tietados por celebridades. No princípio eram 16. Restaram os seis, que somam mais de 160 mil horas nas alturas.Aos cinco continentes, levaram a insígnia da Varig no leme dos aviões e desfrutaram o apogeu de uma das maiores do mundo.

Recordam-se em tom passional os lugares que avistaram do alto e que pisaram por terra. Mas o mundo os esqueceu. Os ex-comandantes Fredy Wiedemeyer, Alfredo Flemming, Luiz Achutti, Ricardo Lobo, Jair Schütz e Mario Ungaretti são os remanescentes da primeira turma da Escola Varig de Aeronáutica (Evaer). Na próxima sexta, vão se reencontrar em Porto Alegre para comemorar 60 anos de formatura.

Mas a celebração vem numa fase angustiante. Os veteranos estão entre os 17 mil dependentes do plano de previdência complementar Aerus — criado em 1982 para os ex-funcionários da Varig e da Transbrasil. Desde a falência da Varig ( oficialmente em recuperação judicial ), em 2006, viram as aposentadorias se esvaírem, reduzidas em 92% sobre o valor a que têm direito.

A comemoração das seis décadas será singela: uma cerimônia na Igreja São José, no Centro da capital gaúcha, seguida do almoço para relembrar as velhas histórias. Os veteranos que ocuparam o posto mais alto da aviação civil agora recorrem à solidariedade de familiares e amigos para seguir de avião a Porto Alegre. Mês que vem, o Aerus deve pagar a última parcela, enquanto o processo indenizatório tramita na Justiça.

Passageiros célebres e escalas pelo Estado

Em meio à turbulência, Fredy Kurt Wiedemeyer é o agitador do reencontro. Do quarto de 10 metros quadrados no apartamento onde mora, no Norte da Ilha, em Florianópolis, abarrotado de estátuas e relíquias dos países por onde andou, articula com os ex-colegas pelo telefone a reunião.

O gorro de couro usado no primeiro voo, a miniatura do avião a hélice do início da carreira e o diploma da Evaer estão expostos com esmero. Aos 79 anos, viúvo duas vezes, o porto-alegrense vive há 21 em Santa Catarina, desde que se aposentou.

Percorreu 64 países, dominou cinco idiomas, morou em Lisboa, Los Angeles e Roma. As estrelas de cinema Lana Turner, Rock Hudson, Romy Schneider e Catherine Deneuve viajaram com ele. Enquanto presidentes, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Fernando Collor e o secretário-geral da ONU, Kurt Walheim, cumprimentaram-no na cabine. Em 1980, fora abordado várias vezes por um curioso João Paulo II, na viagem de volta a Roma, deslumbrado com a paisagem amazônica.

— Ele queria que mandássemos uma mensagem via rádio para cada presidente dos países por onde passássemos. O pior é que eu não sabia o nome deles — relembra do aperto.

Primeiras rotas tinham escalas em SC

Wiedemeyer não é o único saudosista. Os outros colegas também são movidos pelas lembranças da empresa em que “tudo funcionava”.— Ainda sonho com as coisas que eu vivi. As conversas com os colegas na cabine. Minha felicidade se deve ao fato de eu ter conseguido voar na Varig — suspira Ricardo Lobo, 85 anos, morador do Rio de Janeiro.

Na década de 1960, o ex-comandante pilotava um DC-3 com capacidade para 30 passageiros, que saía de Porto Alegre e pipocava entre Tubarão, Araranguá, Florianópolis, Navegantes, São Paulo até chegar ao Rio. Alguns dos aeroportos catarinenses eram meros campos de aterrissagem. No fim, Lobo alcançou o posto de piloto-chefe da companhia.

O mais rodado é Jair Schütz, 81, de Porto Alegre. Jura que foram mais de 40 mil horas no ar, como se passasse quatro anos e meio a viajar, sem paradas.

Viúvo há um ano, Luiz Achutti, 84, vive no apartamento da Rua 24 de Outubro, na capital gaúcha. Faz as contas no caderno onde anotara todas as rotas e descobre: só para Nova York foram 230 viagens, além de outras 400 travessias do Atlântico rumo à Europa, a bordo do Jumbo 747.

— Era uma vida muito boa. A gente era respeitado. Piloto era tratado como autoridade. E a Varig custeava tudo. Isso não existe mais hoje. Nem é possível mais manter, por causa dos custos.

Diário Catarinense
http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2013/11/quando-vejo-um-aviao-me-emociono-diz-ex-piloto-da-varig-4343430.html

joseabrahamacervoalfonsoabrahamEntrar no primeiro emprego, sem experiência nenhuma e ser piloto em instrução , custava anos voando para o exterior, apelidados de Papagaio de Aerovia ( Fazendo Fonia) e sendo o terceiro ou quarto piloto da Tripulação .  A minha lembrança da Escolinha da Evaer quando pernoitava em POA era ter visto Piper Senecas,com painéis de instrumentos especialmente encomendados para serem usados em treinamento IFR .

Historia da Varig-digital

http://issuu.com/rwy10/docs/varig

Esse post foi publicado em Historias da Aviação. Bookmark o link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s