“Véio Bertelli”

alberto-berteliAlberto Bertelli nasceu em 03 de outubro de 1914, numa fazenda da família Pereira Inácio, no município de São Roque, São Paulo.

Em 1919, mudou-se para a capital mais precisamente no Bairro Butantã. Durante uma apresentação de acrobacias aéreas, em homenagem a visita do Rei Humberto da Bélgica, em 1920 nasce no garoto uma paixão que o acompanharia por toda vida: o avião.

O próprio Bertelli relatava como o seu fascínio por aviões o acompanhava desde a mais tenra infância:

“Lembro-me que três aviões sobrevoavam o local em homenagem ao ilustre Rei. Um deles era triplano e os outros dois era biplanos faziam acrobacias – não sei quais, mas devia ser parafuso pois desciam virando. Fiquei maravilhado pelo espetáculo. (…) Na época tinha aeromodelismo, mas construí os meus resumidos aviões simplesmente na hélice, que eram feitas com tampa de lata de banha com uns cortes que abria com a tesoura da mamãe- o que acabava sempre em puxões de orelha, pois  estragava a tesoura”.(Bertelli, 1999).

Ainda garoto, aprendeu a dirigir o caminhão do pai, auxiliava nos consertos do carro e a realizar as entregas de material de construção. Era, bom aluno, especialmente em matemática apesar de não ser estudioso. Nessa mesma época aprendeu a tocar clarineta, seu instrumento preferido.

Foi um garoto e criativo, chegou a dirigir por alguns anos com uma cópia da carteira de motorista do patrão do seu pai, o Dr. Osvaldo.

Após completar dezoito anos o interesse por aviões ressurgiu em seu espírito; um dos seus passatempos preferidos era observar as manobras aéreas em Congonhas, recém inaugurado.

O primeiro vôo de Bertelli (como passageiro) foi na década de trinta, às escondidas da família; ao tomar suas primeiras aulas com Anísio de Oliveira.

Mal sabia o professor que o jovem curioso e interessado se tornaria um dos maiores pilotos brasileiros. Após um mês de aula fez seu primeiro vôo solo. Com muito sacrifício financeiro tirou o brevê, com menos de vinte horas de vôo.

Após o curso de pilotagem, Alberto se tornou instrutor de vôo e passou a realizar suas incríveis acrobacias, inclusive o looping invertido.6933797907_76bee41d48_b

Como instrutor, Bertelli trabalhou em Sorocaba e Rio Claro, muitos futuros pilotos de Companhias Aereas foram seus alunos. Mais tarde passou a trabalhar com taxi aéreo. Em 1951 veio para o Vale do Ribeira a fim de transportar peixe de Cananéia,principalmente camarão para São Paulo; também transportava passageiros para a capital. A BR- 116 ainda não existia e uma viagem de carro durava de oito a dez horas (de avião eram cerca de quarenta minutos). O advogado Pereira Lima, José de Carvalho e Ivo Zanella (Pariquera-Açu), além dos engenheiros Regis Bittencourt e Rui Prado de Mendonça, foram alguns de seus passageiros.

O piloto foi um dos fundadores e componente da “Esquadrilha da Fumaça”.

Segundo Pedroso:Bertelli recebeu o título único de piloto civil, perpétuo e honorário da Forca aerea. Pilotando aviões como: Piper Cub, Taylorcraft, Sttinson, Bonanza (esse tinha o prefixo AHE, o nome dos três irmãos: Alberto, Hugo e Edmundo), Cessna, Aeronca, Bucker, Munis, Wacco, Luscomb, Mots e Kirts (cada um tinha vários modelos), o aviador cortava os céus do Brasil e realizava manobras mirabolantes”. (Pedroso, 1997).

Além de ser um meio de vida, a aviação era um grande amor para ela: cuidava dos aviões com zelo, consertava-os e restaurava-os. Apesar de alguns sustos em sua carreira: panes, aterrissagens forçadas e acidentes variados, nunca mudou de profissão.

Segundo familiares Bertelli eram um homem calmo e de hábitos simples, gostava de piadas e de música. Morou durante vários anos na Rua Miguel Aby Azar próximo ao Rio Ribeira.

Fez apresentações em todo o Brasil, foi condecorado e homenageado inúmeras vezes e entrou para a História da Aviação Brasileira. Seu nome era sinônimo de aviação e ousadia.

Nunca vou esquecer aquele cara simples,voando de dorso no Bucker,alegrando as Festas Aviatorias.

554766_420798687956657_1549329857_nFRASE DO PILOTO ALBERTO BERTELLI

“O aluno aprende a voar, tira seu brevê. Continua a voar, faz as horas, presta exame e sai piloto comercial. Com muito sacrifício, entra numa companhia comercial. Volta ao Aeroclube com ares de importante, fala cobras e lagartos da aviação – da qual ele agora faz parte. Olha com desprezo os teco-tecos nos quais aprendeu a voar. Agora ele é o Sr Fulano dos Anzóis Pereira. Nunca mais voará em avião a pistão, coisa antiquada, não tem instrumentos, nem outros bichos.

Se for um aviador autêntico, verá que essa não é a aviação que o homem sempre almejou: acuse aqui, acuse ali, e depois de dois ou três anos de tanta acusação, volta todo humilde ao Aeroclube, olha o P-56 e pede que alguém lhe dê um duplo-comando, pois não sabe mais voar. Quer voar, simplesmente VOAR”…

Bertelli decolou aos 66 anos para seu último e mais alto vôo em 8/12/1980.

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