Os Ensinamentos de uma Tsukubai

768px-Tsukubai2Tsukubai of Tea Garden

Uma bacia de água de pedra famosa, com a água que flui continuamente para a purificação ritual,normalmente localizada na entrada de todos os templos.Do seculo 17,este é o do Templo Ryoan-ji tsukubai (蹲踞?), Que se traduz literalmente como “agachar”; por causa da baixa altura da bacia, o usuário deve curvar-se para usá-lo, em sinal de reverência e humildade. Os kanjis escritos na superfície da pedra não tem significados quando lido sozinhos. Se cada um é lido em combinação com 口 (Kuchi), que é a parte central da fonte,  eles  se tornam 吾, 唯, 足, 知. Pode lido como “ware, tada taru (wo) shiru” e traduz literalmente como “Eu só sei (o que é) o suficiente” (吾 = louça = I, 唯 = tada = apenas, somente, 足 = taru = ser suficiente, bastar, valer a pena, merecer, 知 = shiru = sei). O significado da frase esculpida no topo da tsukubai é simplesmente  “o que se tem é tudo que se precisa” e destina-se a reforçar os ensinamentos básicos anti-materialistas do budismo. A ausência de uma concha tradicional significa que a água é apenas para a alma e que é necessário dobrar os joelhos em humildade, a fim de receber o liquido precioso.

Um diario de um aviador e uma reflexão  sobre o que precisamos para viver

untitledEm um já distante agosto de 1960, o piloto Milton Terra Verdi pousava em emergência numa clareira na selva bolliviana. Sem socorro, sem água e sem comida, Terra Verdi passou 70 dias escrevendo um diário, que terminaria pouco tempo antes da sua morte. O diário virou um livro, o “Diário da Morte”.

Ele e o cunhado, Antônio Augusto Gonçalves, tiveram que fazer um pouso forçado do Cessna 140 em que viajavam no meio da selva boliviana, entre Corumbá e Santa Cruz de La Sierra por falta de combustível. O registro começa no dia do pouso forçado, em 29 de agosto de 1960. De acordo com o relato de Milton, seu cunhado morreu de inanição mais de uma semana depois. Verdi esperava por um socorro que nunca chegou a tempo. Foram 70 dias de angústia, tendo que conviver com a decomposição do corpo de Antônio. Só podia contar com a água da chuva que vinha de vez em quando. Foram feitas tentativas de se embrenhar na mata fechada, porém em vão. Com fome e sede , mesmo assim ainda conseguia escrever usando mapas e documentos para se manter lúcido. À medida que o tempo ia passando e o socorro não chegava, a solidão e o desespero tomavam conta. No 65º dia, ele escreve sobre como o sofrimento muda a nossa forma de pensar, pedindo a Deus por nova oportunidade de ser bom pai, bom filho e bom marido. Do outro lado, o pai de Milton tentava vencer a burocracia e conseguir ajuda por parte dos órgãos responsáveis pela aviação brasileira. Os bolivianos foram muito mais solícitos no pedido de ajuda. Se a aviação brasileira ja beira ao caos nos tempos atuais, imagine como era há tanto tempo atrás!

Infelizmente, o socorro chegou apenas no dia 24 de dezembro daquele ano, mais de um mês depois de Milton falecer, também de inanição.
Um trecho do diário escrito no 9º dia e trecho de uma carta escrita à sua esposa:
“Como se acabam as ilusões de um homem. Hoje para mim, um litro d’água que é a coisa mais barata que nós temos, vale mais que todo o dinheiro do mundo e um prato de arroz com feijão não tem dinheiro que pague. Se Deus nos der nova chance, temos planos de ser os homens mais humildes do mundo, querendo apenas ter nossa comida, água em abundância e o carinho das esposas, filhos e familiares”. “Minha querida esposa e dedicada mãe de meus filhos, primeiramente, peço que me perdoe pelos maus momentos que te fiz passar, vejo agora que tudo não passa de ilusão, o que vale mais no mundo é a água, a comida de todo dia e o carinho da nossa querida esposa e filhos. Saiba que você foi o único amor da minha vida, não duvides porque é um moribundo quem está falando. Nunca deixes ninguém passar sede, pois é a pior coisa do mundo”.Poucos livros são tão dramáticos. É comparável ao antológico “Diário de Anne Frank”.
Viagem Bebedouro e Sao Carlos 611A aeronave de Terra Verdi foi recuperada pela Fundação EducTam, com autorização da família, da clareira na qual pousou na Bolívia, em 1960, e exposta no Museu da TAM, em um dramático diorama, que reproduz exatamente as condições nas quais foi encontrada quase cinco décadas depois.

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