A Epopeia do Savoia Marchetti Jahu

4ª TRAVESSIA AÉREA DO ATLÂNTICO SUL – CONQUISTA BRASILEIRA

João Ribeiro de Barros pede auxílio ao governo brasileiro para empreender o mais sensacional reide da época: ligar pelos ares a Itália ao Brasil, de Gênova a São Paulo, com um único aparelho e sem a ajuda de navios. O governo do Presidente Washington Luis negou-se a ajudá-lo… Em meados de junho de 1926, Barros parte para a Itália juntamente com seu amigo, Vasco Cinquini. Barros adquiri um hidroavião avariado (Savoia Marchetti, modelo S-55, batizado de “Alcione”), no qual promove diversas reformas e que foi rebatizado de “Jahu”, em homenagem à sua cidade natal.

Partem de Sesto Calende para Gênova em 13/10/1926. Em 18/10/1926, o Jaú decola de Gênova. Após algumas horas de voo, notaram um baixo rendimento dos motores, e amerissaram em Alicante, na Espanha, mas como a cidade não estava na rota, as autoridades ordenaram que fossem presos, alegando serem contrabandistas e só conseguiram a liberdade com a intervenção do Consulado Brasileiro. Em 19/10/1926 partem para Gibraltar, no sul da Espanha, percebem, então, que há algo errado com o combustível. Barros solicita uma investigação ao Cônsul Brasileiro em Gibraltar que nomeia uma comissão e comprova a primeira sabotagem: sabão, água e terra haviam sido colocados na gasolina obrigando-os a esvaziarem os tanques e substituírem toda a gasolina. O Jhaú retoma os ares em 25/10/1926 e novamente os motores voltam a falhar, exigindo novo pouso de emergência, agora em Las Palmas, Gran Canária.

Decolam de Las Palmas e pousam em Porto Praia no arquipélago de Cabo Verde. Mas ocorre um pequeno acidente, quando traziam o Jaú ao seco para reparos, danificam um dos botes, necessitando conserto especializado. Desmontam os motores para manutenção e descobrem a segunda sabotagem: um pedaço de bronze colocado propositalmente no cárter que só não destruiu o motor, devido ao seu peso, que o manteve no fundo do cárter. Neste meio tempo o copiloto Arthur Cunha rebela-se e é desligado da tripulação. Outro entrave: conseguir um novo piloto. Ele recebe um telegrama do presidente, ordenando-lhe que interrompesse o reide… Como se não bastasse, Barros é acometido por crise de malária, ameaçando desistir do reide e voltar para o Brasil de navio, mas um telegrama de sua mãe o encoraja, ele retoma o ânimo e retorna ao reide, agora com o copiloto João Negrão, da Força Pública de São Paulo, que chegou do Brasil em março de 1927.

Os brasileiros João Ribeiro de Barros (comandante), Newton Braga (navegador/desligado), João Negrão (tenente copiloto) e Vasco Cinquini (mecânico), partem às 4h30 da manhã, do dia 28/04/1927, da Ilha Santiago (Porto Praia), no arquipélago de Cabo Verde rumo ao Brasil, para o salto de 2.400 quilômetros no Atlântico. A velocidade média dessa histórica viagem foi de 190 km/h – recorde absoluto por dez anos consecutivos. Após 12 horas de voo ininterrupto, um forte estampido: a hélice traseira sofrera uma avaria… O Jaú faz um pouso de emergência em pleno oceano e amerissam próximo de Fernando de Noronha com uma hélice danificada. Um navio cargueiro italiano (“Ângelo Toso”, que passava no momento do pouso) o reboca até a enseada norte de Fernando de Noronha (às 17h). Substituem a hélice por outra, vinda do Recife e partem para Natal no dia 14/05/1927. Nota: Eles permaneceram na ilha por 16 dias (de 28/04 a 14/05/1927).

O Jaú nas águas de Fernando de Noronha com o Morro do Pico ao fundo…

noronha-jahu

No dia 06/06/1927 decolam de Natal e após um voo de pouco mais de uma hora, sobrevoam Olinda e pousam em Recife. Os aviadores desembarcaram e foram levados nos ombros até o “Parque Hotel” onde se recolheram como hóspedes do Estado. Festas, homenagens, banquetes, bailes e recepções marcaram a passagem dos aviadores pela encantadora Mauriceia. No Recife, incorpora-se na tripulação, o mecânico da Marinha do Brasil, Suboficial Antônio Machado Mendonça, que havia prestado serviço para o Comandante português Sarmento de Beires no “Argos”, que se acidentou na costa do Pará. Na época ainda não existia a arma da Aeronáutica e a tripulação ficou então com representantes do Exército, da Marinha, Civil e da Força Pública. O Jaú deixou Recife no dia 26/06/1927… Depois pousou ainda em Salvador no mesmo dia, no Rio de Janeiro em 05/07/1927 e Santos em princípio de agosto de 1927. Finalmente amerissam na represa de Santo Amaro, hoje, represa de Guarapiranga, ainda em agosto de 1927.

Já em 1929, dois anos depois do feito, o comandante deste avião foi homenageado através de selo postal, em uma série de 5 valores alusiva a Aeronáutica,

O hidroavião Jhaú, primeiro avião a cruzar o Atlântico sul, é o único “sobrevivente” mundial entre as 170 aeronaves Savoia Marchetti S-55 produzidas na Itália durante a década de 20. Ele foi preservado pela Fundação Santos Dumont (www.santosdumont.org.br) – entidade mantenedora que inaugurou em 16/10/1960 o Museu de Aeronáutica de São Paulo, onde por muitos anos o Jaú ficou exposto. Esse museu encerrou suas atividades nos anos 90 e seu acervo se dispersou ao ser removido do espaço que ocupava no Parque do Ibirapuera. O Governo do Estado de São Paulo, através da Lei Estadual nº 9.933/98, instituiu a data de 28 de abril como comemorativa da Travessia do Atlântico.

Por ocasião das comemorações dos 500 Anos de Descobrimento do Brasil (2000), parece que parte do acervo do museu foi transferido para o Centro Municipal de Campismo (Cemucam), um parque pertencente à Prefeitura de São Paulo, localizado na cidade vizinha de Cotia… Desmontado, o hidroavião ficou alojado em um hangar do Grupamento de Radiopatrulha Aérea “João Negrão”, mais conhecido como “Grupo Águia”, da Polícia Militar do Estado de São Paulo (GRPAe), no Campo de Marte.

Tombado em 2002 como patrimônio histórico de São Paulo, o Jhaú foi transferido para a empresa Helipark que restaurou a aeronave. Placa do restauro: O hidroavião Savoia Marchetti S55, denominado “Jahú”, do comandante João Ribeiro de Barros, foi restaurado no período de abril de 2004 a outubro de 2007, pela empresa Helipark Manutenção Aeronáutica Ltda. (www.helipark.com.br), Carapicuíba (SP), 26 de outubro de 2007. Hoje, o Jaú está em exposição no Museu da TAM, reaberto em 13/06/2010, localizado em São Carlos, a 250 quiômetros da cidade de São Paulo, aproximadamente.

Museu TAM – “Asas de um Sonho” (www.museutam.com.br)
Endereço: Rodovia SP 318, km 249,5 – Água Vermelha
São Carlos (SP) – CEP: 13578-000 (aberto de quarta a domingo das 10h às 16h)
Coordenadas Aéreas: Latitude 21°52’35” S | Longitude 047°54’12”W

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