Chuck Yeager e Felix Baumgartner

Chuck Yeager foi o primeiro homem a quebrar a barreira do som num vôo nivelado a 14 de Outubro de 1947, voando o protótipo experimental Bell X-1 a Mach 1 a uma altitude de 45,000 pés (13.7 km),depois de desacoplar de uma B-29.

65 anos depois desse feito ,outro homem desafiou essa barreira de uma maneira diferente. A velocidade do som no ar e de 340m/s a 15.9 graus centigrados,o que torna um pouco mais complicado os calculos em altitudes pela variacao de temperatura.

O austríaco Felix Baumgartner entrou para a história como o mais alto salto já empreendido por um ser humano.  Ao abrir a escotilha de cápsula, alçada por um balão de hélio  (na camada conhecida por estratosfera, entre 12 e 50 quilômetros do solo), Felix Baumgartner tinha literalmente a Terra a seus pés. O primeiro homem a superar a barreira do som sem propulsão. Dessa forma, aumentou o que se conhecia sobre os limites do corpo humano

Baumgartner saltou de 39.044 metros de altura, e chegou a 1.342 quilômetros por hora antes de abrir os paraquedas. A velocidade do som naquela altitude era de cerca de 1.110 quilômetros por hora.O recorde anterior de altitude em saltos havia sido fixado há mais de 50 anos pelo americano Joe Kittinger, de 31.333 metros. Aos 84 anos, Kittinger – ainda dono da marca de mais longa queda livre já realizada – acompanhou o mergulho do austríaco da sala de controle em Roswell, no deserto do Novo México, nos Estados Unidos. Também estavam em Roswell uma legião de engenheiros, médicos e outros profissionais para cuidar dos mínimos detalhes da operação. Mesmo assim, os perigos que envolviam um salto dessa magnitude eram muitos. E a menor falha nos equipamentos de segurança – principalmente no traje de astronauta que Baumgartner utilizou – seria fatal.

De onde Baumgartner pulou, a pressão atmosférica é menos de um centésimo daquela com a que estamos acostumados ao nível do mar. Caso não estivesse equipado com um traje de astronauta pressurizado, a diferença entre a pressão interna e a estratosférica faria seu corpo simplesmente explodir. “É um efeito semelhante ao de se abrir uma lata de refrigerante”, diz o físico do Instituto de Física da USP Cláudio Furukawa. A questão é fundamental. Acredita-se que a despressurização tenha sido a causa da morte de duas pessoas que, como Baumgarten, tentaram quebrar o recorde de Joseph Kittinger – Pyotr Dolgov (1962) e Nick Piantanida (1966). Portanto, qualquer brecha ou falha no traje de astronauta ou na cápsula que transportou o paraquedista à estratosfera seria fatal.

O material que compõe a roupa de astronauta também precisou ser suficientemente resistente para proteger o corpo de Baumgartner de mudanças bruscas de temperatura em um curtíssimo espaço de tempo. Quando deu seu salto estratosférico, ele estava num ambiente a aproximadamente 20 graus negativos. Ao atingir 20 quilômetros de altura, a temperatura abaixou para 60 graus negativos. A partir daí, conforme se aproximou do chão, a temperatura subiu para 10 graus negativos (a cinco quilômetros de altura) e só passou de 20 graus muito perto do solo. Tudo isso em nove minutos de queda.

Uma temperatura não tão gelada na estratosfera – apesar da altura – é explicada pela camada de ozônio. Afinal, o ponto de onde saltou o austríaco está exatamente no meio dessa capa protetora responsável por filtrar a radiação que vem do Sol (entre 25 e 50 quilômetros de altura). Por isso, a viseira do traje espacial precisa ser revestida com um material extremamente escuro para proteger os olhos e a pele do paraquedista. “Nessa altura, a quantidade de radiação não só o cegaria, como seria letal para o corpo humano”, explica o professor Ricardo Hallak, também do departamento de Ciências Atmosféricas do IAG-USP.

Parafuso – De acordo com a equipe que auxiliou o austríaco, houve um momento de especial apreensão durante o salto. Pouco depois de começar a cair, ele perdeu o controle e começou a girar em parafuso. Perder-se em subsequentes giros pode fazer com que o sangue se acumule nas extremidades da cabeça, causando efeitos como perda de consciência, de visão ou mesmo hemorragias. Felizmente, Baumgartner conseguiu estabilizar-se em seguida. Terminada a missão, Baumgartner foi responsável por quebrar mais um recorde: oito milhões de internautas acompanharam ao vivo o salto pelo Youtube, a maior audiência já registrada pelo site.

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