O Boeing que desfilou na Avenida

Carcaça de Boeing encalha, mas atravessa ruas de São Paulo

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA  DE SÃO PAULO

O transporte da carcaça de um antigo Boeing da Vasp, que será a principal atração de um espaço de eventos em Araraquara (273 km de SP), começou mal na madrugada de ontem (10).   Logo na saída do aeroporto de Congonhas, perto da 0h30, os fios da rede elétrica se enroscavam a todo tempo na fuselagem do avião, que tem mais de 5 m de altura.   A saída já havia atrasado uma hora e meia para que os técnicos da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) avaliassem as medidas da aeronave. “Imagina São Paulo amanhecendo com um avião no trânsito”, disse um curioso.   Só para percorrer os primeiros 100 metros foi preciso quase uma hora. Uma trabalheira envolvendo mais de 15 homens, contando funcionários da transportadora, da CET, da Eletropaulo e também de empresas de telefonia e TV. 

Moacyr Lopes Junior –  O Boeing 737-200 da Vasp, ao ser retirado do aeroporto de Congonhas (zona sul de SP)

Por volta das 3h, quando já deveria estar fora da cidade, a carreta com o avião foi estacionada às margens da avenida dos Bandeirantes, ainda perto do aeroporto, num ponto que não afeta o trânsito –mesmo assim, alguns motoristas reduziam a velocidade para “conferir” a cena inusitada.   O grande imprevisto foi que uma lâmpada, em cima do avião, segurava os fios. Como está corroída pelo tempo, não foi possível retirá-la na desmontagem da aeronave.   O gerente comercial da transportadora, Rodrigo Ambrósio, afirmou que, antes do reinício da viagem na madrugada de hoje, seriam feitos ajustes para que o avião passasse pelos fios sem tropeço.   Os ajustes parecem ter funcionado, já que o avião conseguiu passar pelas ruas da cidade, como a avenida Brasil, e chegar até a rodovia dos Bandeirantes. O comboio parou em um posto e deve retomar a viagem à noite.

A movimentação toda partiu de Edinei Capistrano, 57, comandante de jatos executivos. Ele arrematou o avião por R$ 133  mil, em fevereiro.   O projeto é colocar a carcaça dentro de um terreno de 13 mil m² na área rural de Araraquara, onde mora, e construir um espaço para eventos, como casamentos e festas de 15 anos.   O comandante estima que deve gastar o dobro do preço da aeronave com despesas de desmontagem e transporte. O desembolso vai atrasar o projeto de abertura do avião ao público. Silva adquiriu a  área  na saída para Matão, periferia da cidade, e pretende transformar a aeronave num restaurante e salão de festas para crianças. Comandante de jatos executivos, ele pretende manter a estrutura a mais original possível, com cabine de comando, bancos e outros equipamentos. Capistrano acredita que o local será uma atração. “Estou fazendo tudo com recursos próprios, por isso acho que só consigo abrir no final deste ano ou no início do próximo.” O piloto espera apoio de patrocinadores para antecipar o projeto.

Haverá estacionamento ao redor, playground e vários salões para festas. O avião ficará no centro para visitação e no máximo servirá para as pessoas cantarem o parabéns”, explicou Capistrano. “Precisaremos ter cuidado para preservar a parte interna”, completou.

O local ainda não tem previsão para começar a funcionar. “Primeiro vamos montar a aeronave e depois vamos construir ao redor”, planeja o piloto. “A intenção é preservar a história da aviação brasileira com essa aeronave.”

O avião começará a ser montado na próxima semana, após a chegada da fuselagem e das asas.No início desta semana, as turbinas, o leme e a cauda da aeronave também ja foram tranportados de carreta para Araraquara numa viagem mais tranquila.                 A

No bairro Jardim Maria Luiza, na zona norte da cidade. O bairro fica próximo ao distrito de Bueno de Andrada, famoso nacionalmente devido ao sabor das coxinhas de galinha que se tornaram famosas após a publicação de uma crônica sobre o assunto publicada pelo escritor araraquarense Ignácio Loyola Brandão. As “coxinhas de Bueno de Andrada”, como são denominadas, atraem cerca de mil pessoas ao distrito aos finais de semana, que consomem pelo menos 3.000 unidades da iguaria. “Com certeza o avião virou um atrativo a mais para essa região”, afirmou Edinei Capistrano da Silva, 57, o dono do Boeing.

Em frente à chácara do piloto também funciona um ponto de atração gastronômica, o restaurante Jeca Tatu, que abre somente aos domingos e tem capacidade para 600 pessoas, segundo o comerciante Altemar César Brunetti, 47. Parcela dos curiosos que se aglomeraram em frente ao local onde está o avião era dos clientes do Jeca Tatu, que ficou movimentado neste domingo devido ao Dia das Mães. Brunetti disse acreditar que o jato vai se tornar um atrativo a mais no bairro das coxinhas.

PLANEJAMENTO

Uma carga tão grande assim só pode circular na cidade das 23h às 4h. Também é preciso pagar uma taxa e ter o trajeto aprovado pela CET. Só o planejamento do trajeto para remover a aeronave durou cerca de 45 dias.   Para fazer o transporte, foram necessárias três carretas e uma picape. O avião foi desmembrado em corpo, asas e turbinas.   A expectativa é que chegue a Araraquara na tarde de amanhã.

(LILO BARROS, MOACYR LOPES JR. E LUCCA ROSSI)ESCALAS

Além da velocidade controlada, o Boeing precisou parar em oito terminais da Polícia Rodoviária para vistoria. Tempo também foi perdido na passagem pelos postos de pedágio que precisaram ser adaptados às pressas para a passagem da carga.   A Polícia Rodoviária também optou por deixar o avião parado no início da manhã de sábado para não correr o risco de congestionar o trânsito na rodovia Bandeirantes.   Segundo a transportadora responsável pela entrega da encomenda, foi possível passar na lateral direita dos postos de pedágio após a retirada de cones de sinalização, onde normalmente, é usado como corredor para as motos.

‘PAIXÃO’  -. “Ainda precisarei fazer uma boa limpeza e uns ajustes antes de promover eventos nele”, comenta o piloto que diz ter agido mais por paixão a aviação do que por qualquer espirito empreendedor. “É claro que quero lucrar, mas não tenho pressa e nem esse é o principal objetivo”, diz.

O avião só chegará ao seu destino definitivo no domingo (13). No sábado, a companhia responsável pelo transporte do avião preferiu manter o Boeing na entrada da cidade pela Washington Luiz por motivo de segurança, pois a chuva que durou quase o dia todo deixou o terreno  na zona norte de Araraquara com lama e escorregadio para a fixação da aeronave. A viagem de caminhão do avião da capital até a cidade do interior demorou aproximadamente 42 horas, ou seja, a carga deslocou-se na velocidade média inferior a 7 km/h.

E o Boeing ja montado..

Quem entra no 737-200 comprado por Capistrano tem a impressão de que o tempo parou desde que o avião deixou de voar pela Vasp.

Praticamente tudo está em seu lugar, dos carrinhos para servir refeições às capas dos apoios de cabeça dos assentos e até os cartões com instruções de segurança nos bolsões das poltronas.

De acordo com o juiz da 1ª Vara de Falências, Daniel Carnio Costa, há outras 22 aeronaves que serão leiloadas. Uma delas.o SMA, que está em bom estado e foi um dos primeiros Boeings a voar no país, também será vendida inteira.

O patrimônio da Vasp, segundo o TJ-SP, inclui também cerca de 80 mil peças de aviões antigos. Entre o material estão asas, turbinas, pneus, mesas de refeição, tapeçaria, peças de freios e motor, válvulas de pressão e combustível.

Se a desmontagem dos aviões tivesse criterios tecnicos e não  um simples picotamento,destruindo tudo, so algumas partes do equipamento de radios valem muito mais que toda a sucata de aluminio.

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