Tortura do Aviador

O treinamento inicial de co-piloto era : 30 dias de Ground School  ,6 sessões de CPT (Cockpit Procedures Trainer),depois mais 12 sessões  de 6hs de duração, 1 voo local com 3 pousos em SBKP para o inicio do treinamento em rota ,iniciando com 20 hs sentado no Jump Seat como observador para depois começar como Co-piloto em Instrução.

Continuava  nos rechecks de rotina (1h de Briefing,2hs como Piloto em Comando,2 hs na função  de First Officer e finalmente 1h de Debriefing / preenchimento das fichas de instrução ) era tão estressante, que para exemplificar um colega quase ficou calvo na instrução  do Boeing 727-200 nos Estados Unidos,outro perdeu tufos de cabelo que demoraram para voltar a crescer normalmente.

Evoluiram muito os simuladores,desde o do Boeing 737-200 da Vasp de Congonhas com seus 4 eixos,muitos simulam desde fumaça na cabine,ate freadas bruscas.

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Os de caçadores são  os mais completos para manobras acrobaticas.Dois meses atras foi perdido um jato militar japones quando o Tenente Aviador provavelmente perdeu a consciencia numa manobra brusca sobre o mar do Japão  .
. Voar um caça rotineiramente, permite ao piloto desenvolver a capacidade de lidar com as condições de alto G. Ele instintivamente firma as pernas e os músculos abdominais, auxiliado pela inflação do traje G (G-suit), que espreme as pernas e o abdômen.

Pilotos também são treinados na respiração anti-G, que consiste de respiração curta, enquanto se mantém os músculos tensionados.

O esforço é essencial para manter o fluxo de sangue na cabeça, enquanto as cargas G aumentam. Se o sangue sai da cabeça enquanto se puxa Gs numa curva, a visão do piloto diminui a partir das bordas, formando a chamada “visão de túnel”.

Altos Gs ou a  a manobra no tempo errado mal feita, pode fechar o túnel completamente e mesmo que o piloto tenha os olhos abertos, ele não consegue enxergar nada, além uma tela cinza.

Durante meu treinamento de acrobacia no PT-19,que era parte do curso destinado a instrutor de pilotagem elementar,sem  traje adequado era normal enxergar um monte de pontinhos brilhantes pela falta de oxigenação  no cerebro.

A próxima fase é a do “blackout”, quando o piloto perde totalmente a consciência. Pode levar até um minuto para um piloto conseguir voltar ao normal, depois de sair de um “blackout”.

O DFS é um meio efetivo para os pilotos treinarem a resistência na visão de túnel ou o “black out”, realizando a respiração curta anti-G sob condições controladas.

Alguns pilotos podem aprender rápido, outros demoram mais e 1% deles são reprovados para o voo em caças. Por isso o DFS também é usado para testar a resistência de futuros candidatos a voar o Gripen, que têm que suportar 15 segundos voando sob 9 G(a grosso modo 9x o peso do corpo), para serem aprovados

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