Comandante Murilo- Sequestro do Vasp 375

renhe-dias-e-vangelisDos 12 sequestros que ocorreram no Brasil, 2 foram com B-737-200 da Vasp desviados para Cuba.Na cabine  chegou a fazer parte do material, mapas do Caribe na decada de 70.Mais 1 Boeing 737-200 foi obrigado a pousar em uma fazenda no Parana num assalto a mão   armada.

Apos esse sequestro do VP 375,tivemos instruções de como proceder e como seria a ação  da Policia Federal e não  eram muito animadoras as perspectivas de sobrevivencia.

Assim que termina o impacto da cobertura jornalistica de alguns casos,muitas vezes ha censura na Midia para evitar que imitem o modo de operação  e aconteçam novos incidentes. Videos e fotos da Internet aparentemente são  deletados.No caso do Japão isso ocorre com a cobertura sobre suicídios,que são  acobertados e ataques com facas,que sempre tem uma sequencia de atos parecidos, com pessoas mentalmente pertubadas que imitam o que viram .

Criou-se um clima de panico coletivo no caso de sequestros.Levou um aeroporto a ser fechado,quando 2 pequenos aviões se cruzaram e um deles ao reconhecer o outro colega piloto,disse na fonia:( Hi Jack),arrumou um grande problema com o FBI  e a administração  do Aeroporto ate tudo ser esclarecido.

vaspx(vasp2svoo-375-da-vasp

(Para que não se  esqueçam do comandante  Murilo -heroi do Vasp  375)                                                                                                                                                        Ainda que muita gente possa ter acompanhado a notícia ao vivo pela televisão, nem todo mundo teve acesso ao que se passou nos bastidores. O livro Caixa-Preta, do escritor Ivan Sant´Anna, ajuda a rememorar o caso. Para escrever uma grande crônica do seqüestro, o autor entrevistou tripulantes e passageiros envolvidos na história. O resultado foi um livro apaixonante, digno dos melhores momentos do jornalismo literário.Se o seqüestrador tivesse obtido êxito, o vôo VP-375 seria considerado o “nosso 11 de setembro”. Seu nome era Raimundo Nonato Alves. Maranhense, 28 anos, solteiro. Vivia de bicos, mas estava desempregado há alguns meses. Os empregos rareavam por causa da recessão que estava afundando o país: a inflação acumulada era de 400% ao ano. Sem casa própria, com medo de passar fome e com os dias contados para ser despejado da pensão onde morava, elegeu um culpado: o conterrâneo José Sarney, então presidente da República. Nisso, havia alguma razão. .
Raimundo investiu todas as suas economias para comprar uma passagem aérea no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, onde as bagagens de mão dos passageiros não eram submetidas a revistas. Seu plano era entrar na cabine com uma pistola, seqüestrar a aeronave e jogá-la sobre o Palácio do Planalto. No dia 29 de setembro de 1988, por volta das 10h30, Raimundo já se encontrava dentro do avião, armado e decidido a levar o plano até o fim.
.
Quando o avião, que saiu de BH, se aproximava do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, Raimundo levantou-se, dirigiu-se até a cabine e forçou a porta, que estava trancada. Foi advertido por um comissário de bordo, sacou da arma e atirou contra ele, acertando-o de raspão. Depois, passou a atirar contra a fechadura. Do lado de dentro, o co-piloto Salvador Evangelista visualizou o seqüestrador através do olho mágico e se desesperou. “Tem um cara armado no avião”, disse. Quando as balas começaram a atravessar a porta e acertar o painel, o comandante Murilo ordenou que Evangelista abrisse a porta. Do contrário, morreriam ambos dentro da cabine.
.
A primeira intervenção de Raimundo foi: “Vamos para Brasília!”. No mesmo instante, o piloto levou discretamente a mão aos controles do transponder (aparelho que informa a localização da aeronave aos controles de terra) e, girando um botão, registrou no instrumento o número 7.500, código universal de seqüestro. O Centro Integrado de Defesa Aérea soube imediatamente o que estava se passando. Minutos depois, um operador chamou o VP-375 pelo rádio, pedindo que confirmasse a mudança de rota.

imagesCAUX18K6O co-piloto Vangelis  puxou o microfone para responder ao chamado e o seqüestrador atirou em sua cabeça, matando-o na hora. “Ele ia tentar algo”, justificou. Murilo chorou ao ver o amigo morto. “Meu Deus, por que você fez isso? Ele tinha uma filha de cinco anos”, gemeu. “Não quero saber, vamos continuar”, respondeu Raimundo.
.
Os passageiros não podiam imaginar o que estava acontecendo na cabine, mas escutaram o estampido do tiro e permaneciam abaixados. O comandante tentou manter a calma, evitando olhar para o morto, que se esvaia em sangue ao seu lado. Pensou na melhor forma de voar até Brasília sem gastar muito combustível, já que não estava prevista uma mudança de curso. “O que devo fazer quando chegarmos a Brasília?”, perguntou Murilo ao seqüestrador. “Nós vamos pra cima do Palácio do Planalto. Vamos jogar o avião e matar o presidente”, respondeu Raimundo, com o cano da arma encostado em sua nuca. Quase duas horas haviam se passado.

boeing-vasp373-mirage-videoDe Brasília, onde o seqüestro já era caso de Estado e estava sendo transmitido ao vivo para todo o País, um Mirage decolou e passou a acompanhar o Boeing assim que ele entrou no espaço aéreo do Distrito Federal. Murilo gelou, sabendo da possibilidade de seu avião ser abatido caso investisse contra a sede do governo. “Se continuarmos em direção a Brasília, seremos abatidos”, explicou o piloto. Raimundo se convenceu, mas ordenou: “Então vamos para Goiânia”. Murilo, agoniado, avisou: “Não vai dar. Temos apenas 15 minutos de vôo”. Mas o seqüestrador não tinha ouvidos para nada. “Dá sim. Vamos para Goiânia agora”. Foram.
.
Um Boeing tem capacidade para 50 mil libras de combustível. Depois de mais de três horas no ar, o Boeing do comandante Murilo voava com apenas 1,8 mil libras. Mal comparando, é como viajar em um automóvel com dois litros de gasolina. Quando tudo parecia perdido, o aeroporto de Goiânia apareceu no horizonte. O piloto suspirou aliviado: conseguiria pousar. Raimundo, porém, mudara novamente de idéia: “Não quero mais descer em Goiânia. Vamos para São Paulo”, disse, encostando a arma em suas costas. “Não dá, não dá…”, advertiu o comandante. Não tardou e as luzes das bombas de combustível começaram a piscar no painel de comando, alertando que os tanques estavam quase secos.
.
manobras-tonneau-parafusoA partir deste ponto, o comandante Fernando Murilo de Lima e Silva, um carioca de 40 anos, começa a inscrever o seu nome na história da aviação mundial. Ele sabia que não haveria outra chance de salvar os passageiros. Tinha que dar um jeito de desarmar o seqüestrador com uma manobra brusca antes que o combustível secasse. Resolveu então fazer um tonneau, procedimento comum em aviões militares, que ninguém jamais ousara realizar num Boeing. O tonneau consiste em um giro completo sobre o próprio eixo. Ele faz com que o avião fique de ponta-cabeça. O Boeing suportaria? Teoricamente não. Mas não havia tempo para pensar.
.
Murilo acelerou ao máximo, deu um coice no pedal e inclinou o avião para a direita até que a cidade de Goiânia surgisse na parte superior do pára-brisa. Os passageiros, sentados e com os cintos afivelados, sentiram a enorme pressão, mas ninguém se soltou das poltronas. O seqüestrador agarrou-se com força na cortina da cabine e também não caiu. Quando o avião retornou à posição normal, o motor esquerdo já havia parado de funcionar por falta de combustível. Murilo então decidiu executar um parafuso como último recurso.
.
Se o tonneau é uma manobra violenta, o parafuso é devastador. O avião perde a sustentação e cai de bico, girando as asas como um pião. Máscaras de oxigênio despencaram do teto, diversas sirenes de alarme começaram a soar simultaneamente, o Boeing vibrava como uma betoneira e as asas perderam totalmente a função. Entre os passageiros, gritaria geral. Dessa vez, Raimundo não suportou a pressão e foi sugado violentamente para o fundo da aeronave, bateu a cabeça e ficou inconsciente por alguns segundos. Ainda assim, segurava o revólver. Alguém poderia tê-lo desarmado, mas estavam todos desesperados diante da morte iminente, esperando o avião explodir contra o solo.
.
A poucos metros do impacto, Murilo lutava para colocar o avião novamente na horizontal. Tentou várias vezes, sem sucesso, e começou a se apavorar, puxando o manche com o que restava de suas forças. De repente, na hora decisiva, os comandos voltaram a funcionar e o Boeing, no último espasmo de energia, endireitou num tranco violento. Por milagre, o avião resurgiu alinhado à pista do aeroporto de Goiânia. Em queda livre, poderia ter ido para o lado errado e atingido as casas. Mas endireitou voltado para a direção exata da pista. Pura obra do acaso  e da experiencia de ex-piloto militar.
Antes que o seqüestrador se recuperasse da porrada na cabeça, Murilo baixou o trem de pouso e os pneus tocaram a pista, gritando com o atrito da borracha no asfalto. Logo, a única turbina restante se apagou, por absoluta falta de combustível, e o avião foi perdendo a velocidade aos poucos até que, finalmente, estancou suave, são e salvo. Lá dentro, o silêncio era total. Muitos achavam que estavam mortos e se recusavam a abrir os olhos. Do lado de fora, ninguém acreditava no que acabara de presenciar.

O seqüestro, porém, não termina assim. Raimundo recupera-se e caminha, meio zonzo, em direção à cabine, sem que ninguém tente imobilizá-lo. Novamente aponta a arma para Murilo e diz: “Vamos abastecer e voltar para Brasília”. Exausto, o comandante tenta manter a aparente calma. “Por favor, o avião está danificado, não temos como continuar”. Raimundo então ordena que ele peça um caça para sua fuga. Acaba aceitando um Bandeirante. Lá fora, dezenas de emissoras de TV transmitem ao vivo as negociações. Assim que o avião reserva chega na pista, uma hora depois, Raimundo segura o piloto pelo braço e volta à sua idéia fixa: “Você vai comigo pra Brasília”.
.
Dentro do Bandeirante havia um atirador de elite esperando que Raimundo colocasse os pés na aeronave para executá-lo. Fora do Boeing, o comandante da Vasp ia à frente, visivelmente esgotado, o cano do revólver encostado em suas costas. Mas, assim que o seqüestrador afastou a arma por um momento e fez menção de subir no novo avião, o atirador, de forma imprudente, fez um disparo – e errou. Raimundo, sem titubear, apontou para Murilo e atirou. A bala acertou a coxa do piloto. Recebeu, em troca, uma saraivada de balas vinda de dentro do Bandeirante – e caiu.
.
Raimundo Nonato foi levado com vida para o hospital e morreu cinco dias depois. Seu estado de saúde era considerado estável pelos médicos, que chegaram a dizer que o seqüestrador estava fora de perigo. Aventou-se, por isso, a possibilidade de Raimundo ter sido assassinado. O legista Badan Palhares, da Unicamp, foi chamado para apaziguar os ânimos da imprensa e a autópsia revelou que ele morrera de infecção causada por anemia falciforme, uma doença congênita. Ninguém contestou o estranho laudo.
.
O comandante Fernando Murilo, ferido na perna sem gravidade, ganhou algumas poucas homenagens nos meses seguintes.

http://videos.r7.com/documentario-traz-historia-de-sequestro-no-voo-vasp-375/idmedia/524a27850cf2fb3b5d7d8ed6.html

Comandante da VASP foi homenageado em 2001

Com 13 anos de atraso, o piloto Fernando Murilo de Lima e Silva, de 53 anos, foi homenageado pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas. Murilo, que evitou a tragédia, recebeu o troféu Destaque Aeronauta , no Dia do Aviador.

“Antes tarde do que nunca”, disse o piloto, que na época foi condecorado pelo Ministério da Aeronáutica e pelo governo de Minas. “Acho que essa homenagem demorou para sair. Apesar da medalha da Aeronáutica, a aviação civil deveria ter feito isso há muito tempo”, afirmou Alberto Antunes, integrante da nova diretoria do sindicato, que tomou posse na cerimônia. Antunes foi colega do homenageado na Vasp, e fazia parte da tripulação que entregou o avião aos cuidados de Murilo, em Cuiabá, no dia do seqüestro.

Oito anos depois do seqüestro, quando pilotava aviões DC-10 em vôos internacionais, o comandante se aposentou. “O (Wagner) Canhedo me obrigou. Queria enxugar o quadro de vôo. Fiquei um tempo parado, fui tentar fazer outras coisas fora da aviação”, explica. Hoje, o ex-piloto é professor universitário em Curitiba, para onde se mudou com a família.

Esse post foi publicado em Historias da Aviação, VASP. Bookmark o link permanente.

7 respostas para Comandante Murilo- Sequestro do Vasp 375

  1. Alberto Steffen disse:

    Parabéns ao Cmte. Murilo e a heróica tripulação do VP 375.

  2. Newton disse:

    No mínimo a Embrafilme deveria fazer um longa sobre esta estória e assim valorizar o grupo de pessoas, principalmente o piloto, que fez algo verdadeiramente heróico. Pq os EUA fazem o marketing enorme sobre o 11/09 e nós ficamos aquietados sobre este episódio?
    Vergonha do que?

  3. PAULO ROBERTO DE LIMA E SILVA disse:

    EU TAMBEM ACHO ESSE SARNEY NÃO VALE NADA MEU IRMÃO SALVOU A VIDA DE MUITOS INOCENTES E HOJE ESTÁ ESQUECIDO EM CURITIBA PAULO ROBERTO DE LIMA E SILVA IRMÃO DO COMANDANTE MURILO

  4. Robson B Gama disse:

    Parabéns ao Comandante Murilo. Histórias assim deveriam ser mais contadas.

  5. Milton disse:

    A idéia do longa metragem é muito interessante ; muito material disponível, incluindo um avião restaurado e disponível p isso.

  6. Esse é um verdadeiro herói brasileiro! Vida longa ao Comandante Fernando Murilo!

  7. Alexandre Cerqueira Avariz disse:

    Meu imenso respeito e admiração pelo Comandante Murilo. Sua história, e a de todos que lá estavam é tristemente espetacular e incrível. Quando vi recentemente o filme O Vôo, onde o piloto faz um tonneau com um avião comercial, um amigo falou que aquilo não era possível. Retruquei e disse que no Brasil existia um piloto que foi muito mais hábil, corajoso, iluminado e fez uma manobra muito mais difícil, salvando toda a tripulação da morte certa no último segundo. Havia lido o Caixa Preta. Nem a Boeing acreditou no que aconteceu. Se fosse nos EUA já seria filme há muito tempo, e o Comandante Murilo um Herói nacional. Creio que mesmo no Brasil, ainda vão fazer o filme sobre esse feito espetacular, dando o devido reconhecimento a um verdadeiro Heroi brasileiro. O roteiro não precisa de mais nada, além da verdade. Só que as manobras com o avião, vão ter que produzi-las digitalmente, naqueles estúdios de Hollywood, porque nenhum piloto terá coragem de as tentar de verdade… Ainda há tempo do Brasil reverenciar o Comandante Murilo.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s