Respeito a Vida e aos Antepassados

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2011/03/familias-japonesas-lembram-os-antepassados-no-feriado-de-orrigan.html#
Famílias japonesas lembram os antepassados no feriado de Orrigan
Em meio às dificuldades para seguir a vida, os japoneses que tiveram suas casas destruídas pelo tsunami, buscam na memória dos antepassados a força para recomeçar.

No meio dos escombros, das ruínas, do lixo do que eram bairros e cidades, os japoneses procuram. Poderia se pensar que achar algo de valioso, algum bem que ainda pudesse servir seria a prioridade. Não é isso que acontece.

As pessoas quando voltam às proximidades do que era a casa deles olha atentamente, busca um objeto que não temos no Brasil.

Uma mulher está aliviada. Ela achou e nos mostra. Parece um mini monumento esculpido, entalhado e decorado em madeira. Ele representa os antepassados de cada família e em cada casa existe um altar para se venerar aqueles que vieram antes de nós.

Os cemitérios nesses dias têm tido um movimento maior por causa de tantos mortos causados pelo tsunami. Mas hoje tinha ainda mais gente. As pessoas tinham que disputar com carros arremessados pelas ondas um espaço.

Encontrar lápides e túmulos às vezes não era fácil. Um homem diz que o da família dele ficou exatamente embaixo e que está tudo quebrado.

Hoje é dia de Orrigan, feriado, um dia em que os japoneses homenageiam, rezam pelas gerações e gerações de parentes que estão enterrados nos cemitérios. Só que com toda a destruição, é como se o tsunami tivesse profanado, desrespeitado, não só os vivos, mas também os mortos.

Andar no local é se desviar de carros e detritos. Um cemitério fica bem perto do mar. Uma família cumpre suas obrigações, arruma o que pode, põe água e flores. Depois de rezar explicam que toda essa sujeira não atrapalha os mortos, só os vivos, e que o importante é sempre lembrar deles.

No meio do cenário de tanta devastação, vendo a delicadeza do gesto, as flores impecáveis, se aprende um pouco sobre o Japão. Uma cultura que entende que temos que agradecer muito mais do que uma herança genética e que respeitar os mortos é dar valor a vida.

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