Solidão no Cockpit.

  A  Conexão  do Vasp 125 com  a Japan Airlines para Los Angeles com destino a Narita  estava  em  Londrina  e atrasada por manutenção .

Embarcando sozinha  por ultimo estava uma garota Sansei muito jovem chorando de soluçar, fiquei imaginando se seria capaz de aguentar a distancia e a solidão  .Nessa epoca ja morava a 2 anos sozinho em São  Paulo e a familia no interior.

Do Start up ate a Cabeceira da pista de Londrina e muito perto e as Comissarias normalmente fazem o Speech antes da partida dos motores.Essa demorou e quando ela começou a falar…esta aeronave esta sobre a responsabilidade do Cte….ele apertou o Passenger Adress do manche e falou – meu nome e Eneas ,enquanto acelerava as turbinas, era o Bordão  de um candidato do Prona a Presidencia com miseros 30 segundos na tv e so dava para falar isso.

Era o cte Itamar e cop Itapior que era eu na instrução  para Comando.Imagina o que eu aprendi.A comissaria que deve ter ido parar na Galley traseira,se tivesse mais etapas para voar naquele dia ,falaria -esta aeronave esta sob a irresponsabilidade do Cte…

Mesmo tendo a suite do Hilton ou outros hoteis 5 estrelas para descansar ,quando chegava ,tomava um banho e ja saia para ir a rua ou praia.

Aqui no Japão cheguei dividindo um apartamento com uma pessoa que fazia o turno oposto e nas folgas ficava o dia inteiro no Pachinko.Senti muito a falta de gente interessante para conversar.Convivia com pessoas que conheciam 40 paises,levava carros de Rent-a-Car  de volta para passear pelos Estados Unidos,que morou em Kibutz,andou de mochila pela Europa,enfim pessoas interessantes que se viravam em qualquer lugar do mundo.Acho que vem dessa epoca a mania de chegar e ligar a tv para ouvir alguem.

No Brasil as vezes levava 17hs de Macapa ate o interior de São  Paulo onde morava e contava as poucas horas de folga que sobravam para voltar.Tinha que ficar em São  Paulo as vezes devido a essas escalas apertadas.Vida de cigano que não  sabia para onde iria na proxima semana,so sabendo pela escala de voo que as vezes demorava para sair publicada. Sabia que tinha folga no meu e no aniversario dos filhos.

Uma vez entrando no Castro” s em Goiania, levei meu filho de 4 anos, que ao ver a agua escorrendo na imensa fachada de vidro da recepção -falou-Nooossa pai,como sua casa e bonita….

Nesse dia descobri que já não  tinha mais casa e que aquele manche ja corroido pelo suor era o que restava do antigo sonho de voar. Tinha passado a hora de parar e  nem tinha percebido isso..

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